O produtor Luiz Paulo de Oliveira Gomes Filho, proprietário da Fazenda Sertaneja, localizada no município de Candói (50 quilômetros de Guarapuava) informou que a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) agiu rápido e com responsabilidade na interdição de sua propriedade.
Mesmo afirmando que os 290 animais sadios que foram sacrificados e que tinham relações de parentesco com as três ovelhas não devem apresentar a doença, Gomes disse que ‘‘para evitar que houvesse problemas’’, concordou com a ação. ‘‘Me senti seguro, como consumidor, já que o órgão cuidou de todas as medidas de segurança’’, disse.
Segundo o chefe do Núcleo Regional da Seab em Guarapuava, Luiz Carlos Rodrigues, o abate das 290 cabeças da raça Hampshire Down foi dirigido pelos técnicos, já que um dos animais na propriedade apresentou a doença. ‘‘Não tínhamos a intenção de esconder o fato, só acreditamos que a forma como foi trabalhada a notícia, atingiu os criadores de toda a região de Guarapuava’’, reclamou. Ele também discordou do fato de terem anunciado que a doença era semelhante ao problema da ‘‘vaca louca’’.
Rodrigues informou que a doença se manifesta em fêmeas, acima de quatro anos e a ovelha pode contaminar o pasto, caso haja o contato da placenta ou em caso de aborto.
‘‘Estamos com a consciência tranquila de que fizemos um excelente trabalho, diagnosticamos a doença, fizemos o comunicado e tomamos as medidas necessárias‘‘, disse Rodrigues.
Histórico O animal que registrou os primeiros sintomas apresentou coceiras como se fosse uma sarna. Gomes informou que comunicou ao veterínaro responsável pela propriedade, que suspeitou tratar-se de doença rara. Diante da evidência e e também face à demora na recuperação do animal, os dois resolveram chamar (no último dia 3) o médico veterinário Lícius Polatti Schulli, do Núcleo Regional da Seab de Guarapuava, que sacrificou e coletou o material necessário para análise.
Com o resultado positivo, a propriedade foi interditada no último dia 12, quando foram sacrificados mais dois animais. Suas carcaças foram incineradas na propriedade. Na manhã do último dia 17, a Secretaria realizou o transporte de 290 animais pertencentes ao rebanho de Gomes.
‘‘Tenho certeza que estes animais que foram sacrificados e incinerados não apresentariam a doença, já que a propriedade era mantida dentro das normas sanitárias exigidas, além de ter controle de todos os partos, já que as fêmeas são criadas dentro do aprisco, sem nenhuma possibilidade de contanimar os demais’’, disse.
Para garantir a erradicação da doença, Gomes concordou com a ação proposta pela Seab, com a intenção de não criar problema. ‘‘Tudo o que foi feito foi na mais perfeita transparência, inclusive com a comunicação para a Organização Internacional de Epizótias. O que não ocorreu foi o sacrifício de 80 animais no ano passado, como foi divulgado de maneira errada por um veículo de comunicação do Estado’’, disse.
O primeiro animal que apresentou a doença era uma ‘‘pai de cabanha’’ proveniente de importação do Canadá, Kirling 109, que estava em poder de Gomes há mais de 4 anos. Este animal foi adquirido para melhoramento genético do rebanho. Ele cria ovelhas há mais de oito anos e vai esperar o prazo de vazio sanitário da propriedade para ver se volta a criar animais. Por um problema familiar, ele estava providenciando a mudança do local da cabanha para outra fazenda. A criação de ovelhas, já que é a sua principal atividade. Ele deverá ser indenizado pela Secretaria, mas não sabe quanto vai receber.

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