Angus é líder em comercialização de genética no PR
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terça-feira, 10 de abril de 2012
Victor Lopes <br> <br> Reportagem Local 
Com um crescimento de 200% na comercialização de doses de sêmen nos últimos cinco anos no País, a raça Aberdeen Angus já ganha status de potência no Paraná. Isso porque as vendas do seu material reprodutivo correspondem a 42% do market share de inseminações do Estado: a maior entre todas as raças de taurinos e zebuínos. No Brasil, só em 2011 foram vendidas por volta de 2,38 milhões de doses de sêmen da raça originária da Escócia, ficando atrás apenas do gado nelore. Ontem pela manhã, a Associação Brasileira de Angus (ABA) promoveu um seminário técnico acerca da produção dos animais e a qualidade da carne, durante a 52 ExpoLondrina, reunindo cerca de 300 pessoas entre estudantes de ciências agrárias e pecuaristas.
De acordo com o coordenador do programa de certificação da entidade, Fábio Medeiros, a raça possui um pacote integrado de características que está fazendo a diferença no momento do consumidor final optar pela carne que vai levar para casa. ''O que o brasileiro procura é uma carne mais macia, e para que isso ocorra de forma eficiente, várias características devem estar associadas, como por exemplo a precocidade do animal, grau de acabamento (gordura de cobertura) e o marmoreio (gordura intramuscular)'', explicou Medeiros.
Um dos principais objetivos da ABA é trabalhar para que toda a cadeia tenha lucratividade de forma conjunta, desde o produtor, passando pelos intermediários e varejo, até que o consumidor receba uma carne de qualidade. É por este motivo que a entidade atua desde 2007 com um programa de certificação, que através de um selo de qualidade, consegue valorizar ainda mais o seu produto. As 14 unidades certificadas (frigoríficos) ficam alocadas nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás. ''As premiações para os parceiros chegam a ser 10% superiores aos preços de mercado''.
Para que o produtor garanta o selo da associação, os animais devem possuir 50% da genética Angus, serem jovens - com abate realizado até 24 meses -, bem terminados e com boa formação de carcaça. No Paraná, boa parte dos criadores da raça pura estão localizados no Centro-oeste. Em se tratando de raças com cruzamento Angus, os pecuaristas estão pulverizados por todo o Estado. ''Uma das principais características do cruzamento com Angus é a velocidade em ganho de peso e precocidade'', relatou Antonio Francisco Chaves Neto, técnico da Associação Brasileira de Angus no Estado do Paraná.
Neto relembra que há 15 anos o bezerro cruzado tinha alta incidência de rejeição nos frigoríficos. Foi daí que produtores se aventuraram em alianças mercadológicas, que posteriormente se tornaram cooperativas, com o intuito de levar diretamente - sem intermediários - carne de qualidade até o consumidor final. ''Não existia este 'plus' no preço da carne que os criadores de Angus possuem hoje. Estamos passando por uma evolução sólida, que promete um crescimento ainda maior nos próximos anos aqui no Paraná''.
Carlos Augusto Minotto, pecuarista em Novo Progresso, no Pará, achou interessante os temas abordados a respeito da raça. ''No Pará, trabalhamos muito com o gado nelore. Não sei se o Angus poderia se adaptar ao nosso clima de lá. Foi bem interessante saber como a Angus pode ser trabalhada na propriedade'', completou. Na ExpoLondrina há cerca de 142 animais da raça Angus expostos. Amanhã, acontece o Leilão Conexão Angus, que promete comercializar cerca de 400 bezerros certificados e 800 animais de cruzamento, além de 23 touros da raça.


