O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, contestou ontem as declarações do presidente da Usiminas, Rinaldo Campos Soares, de que as montadoras reajustaram os preços dos veículos em 106% desde a implantação do plano Real. ‘‘Isto é uma fantasia carnavalesca’’, afirmou. Pinheiro Neto citou dados da Fundação Getúlio Vargas para informar que o aumento no preço dos carros foi de 61% desde junho de 94 até fevereiro deste ano. Ele disse que o aço subiu 101,5% no período, de acordo com a FGV.
O executivo não acredita em desabastecimento no mercado de autopeças, em razão do impasse provocado pelo reajuste de 12% a 18% no preço do aço. ‘‘Cada montadora está negociando individualmente e utilizando os métodos mais criativos para atender seus fornecedores’’, observou Pinheiro Neto. Ele admitiu, entretanto, que se houver o repasse do reajuste aos preços praticados pelos fornecedores da indústria automobilistica, haverá impacto para o consumidor. ‘‘Do couro saem as correias’’, afirmou.
O vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Nelson Ferreira, disse que os fornecedores de autopeças estão solicitando aumentos de 5% a 10% nos preços de seu produto. ‘‘Não conseguimos repassar às montadoras nem o aumento do aço ocorrido em setembro’’ afirmou. Segundo ele, o aço laminado plano sofreu reajustes de 18% a 26% no ano passado.
Na opinião de Ferreira, o último reajuste do aço foi ‘‘orquestrado’’ entre as siderúrgicas e imposto de maneira unilateral. ‘‘Eles nem tentaram negociar’’ queixou-se. Para o vicepresidente do Sindipeças, a redução da alíquota de importação do aço, que atualmente é de 15%, poderia ser uma alternativa para criar competitividade e forçar para baixo o preço do produto no mercado brasileiro.

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