São Paulo Nem a nova disputa comercial com a Argentina nem o desaquecimento do mercado interno estão tirando o bom humor do setor automotivo brasileiro que, neste ano, deve comemorar um recorde de US$ 9 bilhões em exportações, cerca de 20% a mais do total exportado em 2002. O mais importante nesse resultado é que o déficit que a indústria amargava até poucos anos atrás foi revertido e o superávit entre janeiro e julho deste ano já soma US$ 2,4 bilhões, de acordo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Os principais responsáveis por esses números positivos, porém, não são mais os argentinos, que até 1997 absorviam quase 40% do que o Brasil exportava em veículos, máquinas agrícolas, carrocerias e autopeças para o mundo. Agora, são os Estados Unidos, o México e a Ásia os principais destinos desses produtos. Essa reordenação ocorrida nos dois últimos anos mostra que houve uma alteração de rota nas exportações brasileiras de veículos e autopeças.
A Ásia, que havia pouco tempo era um mercado insignificante, já absorve 11% do que o Brasil exporta em veículos e autopeças, aproximando-se da Argentina, que importou 13,5% nos primeiros sete meses deste ano. Já o México, responsável por 16,3% das exportações brasileiras do setor automotivo, passou a ser o maior e mais importante mercado para os veículos prontos produzidos no País, ainda segundo dados da Anfavea.
Os EUA, que ainda são o principal mercado para as montadoras brasileiras na atualidade, compram até motores. O mercado norte-americano ainda importa 26% dos veículos e autopeças, entre outros, que o Brasil vende ao mundo. Até o ano passado, esse percentual era de 30%.
Um dos fatores que levaram o México a se transformar no segundo maior mercado para os veículos brasileiros foram os acordos automotivo e de complementação econômica assinados entre os dois países em meados do ano passado. Por isso, diz uma fonte da Anfavea, ''estamos fazendo um grande esforço para incentivar o governo a assinar o maior número de acordos (bilaterais) possível, a exemplo do que foi feito com o México''. Esses acordos permitem ao setor automotivo brasileiro ser mais competitivo no mercado internacional em relação aos seus principais concorrentes.
A expectativa é de que nos próximos meses, o governo deverá assinar um acordo semelhante com a África do Sul e, depois, com a Comunidade Andina de Nações (CAN). O mercado andino, que hoje absorve quase 5% do que o setor exporta, tem um potencial de consumo de 350 mil a 400 mil veículos por ano.

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