Representantes da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) pediram ontem ao ministro Pedro Malan (Fazenda) a redução da carga tributária do setor. O presidente da Anfavea, Silvano Valentino, reclamou do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) incidente sobre o frete de veículos e do aumento de cinco pontos percentuais no IPI dos automóveis, válido desde novembro.
Também pediu ao ministro a redução da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para pessoas físicas - um dos principais fatores de diminuição das vendas de veículos financiados. A Anfavea argumenta que o aumento do IPI sobre veículos - uma das medidas do pacote de ajuste fiscal de novembro de 97 - não resultou em aumento da arrecadação. De fato, a receita do IPI sobre automóveis caiu, em termos reais, 25,9% no primeiro bimestre de 98 em relação a igual período do ano passado.
A redução da carga tributária seria uma alternativa para as montadoras tentarem reverter o cenário de queda nas vendas de 20%, em média, verificado desde outubro. A causa dessa queda nas vendas, entretanto, está nas altas taxas de juros, que foram dobradas em outubro de 97.
O recuo nas vendas persiste mesmo com as reduções mensais determinadas pelo Copom (Comitê de Política Monetária) a partir de novembro. Segundo José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da Anfavea, o aumento de 44,7% nas exportações do setor no primeiro bimestre, em comparação com igual período de 97, se deve aos compromissos do regime automotivo.
‘‘Esse aumento não tem nada a ver com desova de estoques. A exportação deixou de ser uma opção para as montadoras e se tornou uma obrigação contratual’’, afirmou Pinheiro Neto, que assume no próximo dia 13 a presidência da Anfavea. ‘‘O regime automotivo foi o pulo do gato para o setor’’, completou.

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