O setor automobilístico não deverá sofrer nenhuma alteração radical com o pacote econômico decretado ontem pelo governo federal. Esta é a avaliação do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto. ‘‘Temos projetos para médio e longo prazos, não é uma crisezinha qualquer que vai botar tudo a perder’’, afirmou, referindo-se ao projeto da indústria automobilística de investir US$ 20 bilhões entre 1996 e o ano 2000.
Para Pinheiro Neto, o consumidor vai perceber em breve que ‘‘o bicho papão é mais manso que se imaginava e que o rio continua correndo para o mar e que as coisas continuam do mesmo jeito’’. Pelos cálculos do executivo, a indústria deverá produzir 1,5 milhão de veículos em um cenário pessimista e 1,7 milhão em um cenário otimista. Este ano, fabricou 1,6 milhão de unidades. ‘‘Permaneceremos como o oitavo produtor mundial de veículos’’, afirmou. Ele acredita que estabelecido o choque do pacote, o consumidor voltará a adquirir veículos, negando a possibilidade de um período recessivo, a provocar queda bruta nas vendas no ano que vem.
Em 99, a indústria deverá exportar US$ 5,2 bilhões, volume semelhante ao que provavelmente será atingido este ano. Em 97, esse volume foi de US$ 4,8 bilhão. ‘‘Esses resultados registram o espírito da nossa indústria. Precisamos parar com esse processo de auto-flagelação’’.Arquivo FolhaPinheiro Neto: ‘‘Não é uma crisezinha que vai botar tudo a perder’’Agência Estado

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