Aneel pede ajuda para evitar racionamento
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quarta-feira, 21 de março de 2001
Agência Estado De Brasília 
O governo federal decidiu amenizar o plano de racionamento de energia elétrica que seria implantado caso os reservatórios das usinas hidrelétricas localizados na Região Sudeste não atingissem 49% da capacidade de água. Ontem, após reunião com o ministro de Minas e Energia, José Jorge, o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, explicou que vai recorrer a um programa de racionalização de eletricidade, que inclui colocar usinas térmicas e nucleares operando a todo vapor e solicitar que a população diminua o consumo de eletricidade.
Porém, o secretário-executivo do ministério, Luiz Gonzaga Leite Perazzo, não descartou a possibilidade de racionamento nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste caso a proposta de Abdo não apresente os resultados desejados. Perazzo assegurou que a proposta do governo é permitir que as represas das usinas acumulem a maior quantidade de água possível neste período de chuvas para que possam atravessar com mais segurança os meses de escassez das águas, que vai de maio até outubro deste ano.
Ou seja, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Aneel vão programar a racionalização da energia para evitar medidas mais drásticas. Abdo afirmou que colocando em funcionamento este plano alternativo vai permitir que haja um acúmulo de água nos reservatórios até 13 pontos porcentuais em relação à situação deste mês, que chegou a 34,7% da capacidade ocupada pela água. O diretor-geral da Aneel explicou que entregará ao ministro José Jorge, dentro de 15 dias, um plano de contigência para ser colocado em prática a partir do próximo mês.
Os técnicos do governo preferiram riscar do vocabulário a palavra racionamento de energia. Esta postura foi adotada no dia seguinte ao ministro José Jorge ter admitido, num cenário mais crítico, pelo racionamento de energia elétrica nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do País. Ontem, Abdo e Perazzo procuraram evitar uma avaliação que levasse a medida unilateral de interrupção do abastecimento de eletricidade.
Por este motivo, Abdo explicou que no plano a ser elaborado pela Aneel ainda não se trabalha com a possibilidade do corte de fornecimento de energia elétrica. Ou seja, o discurso do governo passa pela etapa mais amena do plano para que se evite chegar ao quadro de racionamento, segundo Abdo. Um exemplo desta economia se dará na indústria. É possível que uma distribuidora negocie com determinada fábrica eventual sobra de eletricidade.
Os contratos de compra de energia permitem que, caso uma indústria não venha a fazer uso de toda a carga contratada, esta quantidade do produto pode ser colocado no sistema. No entanto, as empresas que tiveram aumento da demanda, terá dificuldades para conseguir a energia no mercado. Isso porque os contratos determinam que a eletricidade seja mais cara, o que poderia desestimular o aumento da produção.
Mesmo não querendo apresentar um quadro desolador para o setor de energia, Abdo informou que os reservatórios das usinas estão com níveis de armazenamento de água piores em comparação com o mesmo desempenho nos últimos 40 anos. Ou seja, a quantidade de água na barragem é a pior das últimas quatro décadas. Por este motivo vamos tomar ações conjunturais e o nosso plano não tem a hipótese de racionar a energia, assegurou Abdo.


