A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) estuda antecipar para este ano ou meados de 2002 a revisão da estrutura tarifária de energia elétrica. Segundo o diretor-geral da agência, José Mário Abdo, a mudança beneficiaria os consumidores residenciais. Hoje, a estrutura é baseada em um sistema de subsídios cruzados em que o consumidor residencial paga mais para que o comércio e a indústria paguem menos. ‘‘Esse sistema é uma herança do passado. Há 15 anos essas distorções vêm se acumulando’’, declarou Abdo. Ele disse que a Aneel vem analisando o assunto e com um ‘‘amplo acordo nacional’’ seria possível antecipar a discussão. Ele avalia que a reestruturação ocorreria naturalmente entre 2003 e 2004, quando haverá a revisão dos contratos de concessão de energia de 46 distribuidoras
A tarifa média paga pelos consumidores residenciais é de R$ 171,93 por MWh. A dos comerciais é de R$ 144,96, e a indústria paga R$ 74,19. ‘‘A proporção não está adequada. É preciso repensar isso: como atenuar para o residencial e como ter uma elevação para alguns setores da indústria.’’
ApagãoO ‘‘ministro do apagão’’, Pedro Parente, afirmou ontem que um dos motivos para o governo não ter adotado os apagões quando anunciou o plano de racionamento foi a falta de ‘‘tempo hábil’’ para fazer os cortes programados.
‘‘Faltava tempo para preparar os setores essenciais’’, disse Parente, acrescentando que a outra razão para o governo não adotar os apagões (cortes programados de energia) foram os problemas que a medida poderia ocasionar.
A afirmação foi feita aos senadores e deputados que participavam da audiência da comissão que estuda a crise energética. Segundo o ministro, cortes programados em cidades como São Paulo poderiam ter efeitos desastrosos. Ele voltou a dizer, entretanto, que o governo não pode descartar os apagões.
O ONS (Operador Nacional do Sistema) avalia que novos racionamentos acontecerão nos próximos dois anos se não houver antecipação e ampliação dos investimentos no setor elétrico.

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