Aneel descarta falta de energia
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, procurou tranquilizar ontem o mercado nacional ao afirmar que os investimentos em geração de energia são crescentes. Para este ano estão previstos novos 6 mil megawatts no sistema, quase o dobro que seria o mínimo necessário. O otismismo de Abdo confronta com análises feitas por especialistas do setor, que prevêem falta de energia caso chova pouco.
Hoje o Brasil tem 70 mil megawatts em energia, apenas 20 mil a mais do que havia em 1994. Teria de ter pelo menos 12 mil MW (uma Itaipu) a cada três anos. O problema é que há uma demanda que cresce quase o dobro do que é investido em geração. Nos anos 90 houve um declínio nos investimentos do setor estatal em energia. Agora o setor privado retoma os investimentos.
O diretor da Aneel lembrou que, em 94, havia 56 obras paradas no setor energético, sendo 23 usinas. Abdo esteve ontem em Curitiba para participar do Seminário de Energia Elétrica Privatização e Regulação Econômica, evento promovido pelo Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (Idec).
Para provar que os grupos privados estão interessados em geração, Abdo citou como exemplo os últimos leilões para concessão de áreas para construção de hidrelétricas e redes de transmissão. Em julho do ano passado, foram leiloados 3 mil quilômetros de linhas por R$ 2,6 bilhões. Em novembro foram 11 hidrelétricas a serem construídas. Dez delas tiveram compradores. A Aneel vai permitir a construção de 18 novas hidrelétricas ao longo deste ano. (Carmem Murara)





