Curitiba - O reajuste de tarifa da Companhia Paranaense de Energia (Copel), que seria definido ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), foi retirado da pauta da 21ª reunião pública ordinária da diretoria da agência, realizada em Brasília. O aumento de 32,45% é o maior entre todas as solicitações apresentadas por distribuidoras brasileiras até agora. A agência reguladora informou que o assunto será apreciado na próxima reunião de diretoria marcada para 24 de junho, no mesmo dia que o reajuste entraria em vigor.
A Aneel informou que o pedido da Copel foi retirado da pauta pelo diretor da agência e relator Reive Barros dos Santos. Tratava-se do quarto item da pauta de ontem, de um total de 38 assuntos. Ainda, segundo a Aneel, ele não foi analisado porque demanda um maior tempo de análise. A Copel esclareceu que não vai se manifestar sobre o reajuste antes da decisão da agência reguladora.
Até agora, 40 distribuidoras de energia já apresentaram pedidos de reajuste anual para a Aneel, sendo o da Copel o maior. Depois, vêm o da AES Sul Distribuidora Gaúcha de Energia, de 30,47%, e o da companhia mineira (Cemig), de 29,74%. Elas já tiveram reajustes aprovados pela agência, nas proporções de 28,86% e 14,24%, respectivamente. O aumento de 25,16% pedido pela Companhia Campolarguense de Energia (Cocel) seria decidido ontem pela Aneel, mas também foi retirada da pauta por Reive Santos.
De acordo com a planilha de custos que a Copel enviou para a agência, a IRT (Índice de Reajuste Tarifário Pleiteado), o total do aumento solicitado de 32,45% é composto por 19,1% da parcela A (formada por encargos setoriais, custos com transmissão de energia e contratos já assinados de compra de energia que vão impactar no futuro), 11,8% de componentes financeiros, formados por energia já comprada. E também pelo restante do reajuste (de 4,94%), que não foi aplicado na integralidade no ano passado.
Segundo a Copel, o que mais pesou no pedido de reajuste da estatal foi a compra de energia. O uso intenso das termelétricas devido ao baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas influenciou muito no custo da empresa. Ainda segundo a estatal, se não reajustar as tarifas, o setor de distribuição não conseguirá fazer os investimentos futuros necessários. A Copel Distribuição teve um prejuízo de R$ 14 milhões no primeiro trimestre de 2014. No mesmo período do ano passado, o prejuízo tinha sido de R$ 65 milhões.

Impopular
No ano passado, a Aneel autorizou um reajuste médio de 14% na tarifa da Copel. Mas, em meio à onda de protestos que tomou conta do País em junho, o governador Beto Richa decidiu aplicar só 9,55%, na média. Com isso, sobrou um "saldo residual" de 4,94% que está na planilha deste ano. Entrevistado pela FOLHA na semana passada, o consultor financeiro da Inva Capital, Raphael Cordeiro, disse que provavelmente a Aneel vá aprovar todo o reajuste pedido. Mas, por se tratar de ano eleitoral, há grandes chances de o governador novamente não aplicá-lo na integralidade.

Imagem ilustrativa da imagem Aneel adia decisão sobre reajuste da tarifa da Copel