Goiânia - O Brasil deve atingir recordes históricos de produção e exportação de algodão em 2004, segundo as estimativas que a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) deve divulgar ainda neste mês. De acordo com Antonio Vidal Esteve, presidente da Anea, a entidade deve aumentar a previsão de produção da fibra em 2004, de 1,05 milhão de toneladas para 1,1 milhão de toneladas e de exportação, de 280 mil toneladas para 300 mil toneladas. Esta será a terceira vez neste ano que a Anea revisa para cima as estimativas. ''A produção e a exportação de algodão no ano que vem serão recordes históricos'', disse Esteve. Ele coordenou ontem a palestra de abertura do IV Congresso Brasileiro de Algodão.
Segundo Esteves, está em curso uma ''reviravolta'' no mercado internacional, que animou muito os produtores. ''Há dois anos, os preços estavam baixíssimos, cerca de US$ 0,30 por libra-peso, e agora estamos próximos de US$ 0,60'' , diz. Por trás dos preços favoráveis está a demanda da China, que aumentou seu consumo em 1 milhão de toneladas, e problemas climáticos no país, que reduziu a previsão de produção de 6 milhões de toneladas para 5,5 milhões de toneladas.
Outro fator que está colaborando para a expansão da produção é a venda antecipada da safra, que permite um maior planejamento. Da safra de 2004, entre 250 mil toneladas a 280 mil toneladas já estão vendidas antecipadamente para o Exterior, segundo a Anea.
De acordo com Esteve, o desaquecimento da economia deprimiu o consumo interno de algodão, que caiu de 940 mil toneladas em 2001 para 740 mil toneladas neste ano. ''Mas as exportações estão conseguindo compensar essa perda'', diz.
O diretor da Agência de Promoção de Exportações (Apex), Hélio Mauro França, comemorou os bons resultados da balança comercial do algodão. Entre 1993 e 2000, a balança comercial do algodão acumulou um déficit de US$ 3 bilhões. Em 2001 e 2002, registrou superávit de US$ 550 milhões.
As exportações totais de algodão, neste ano, mostram um desempenho muito positivo. De janeiro a agosto, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), foram de US$ 282 milhões, contra US$ 190 milhões em igual período do ano passado.''Isso mostra que é possível reverter uma situação de balança comercial desfavorável e um mercado interno desabastecido'', disse França, que abriu o Congresso.

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