A qualidade do café produzido no Norte Pioneiro não foi o único foco da 1 Feira Internacional do Café (Ficafé), realizada em Jacarezinho. A Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (Acenpp) homenageou ontem o ex-senador José Eduardo de Andrade Vieira, ex-ministro da Indústria e Comércio e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; e o cafeicultor Luiz Marcos Suplicy Hafers pela contribuição dos dois à evolução da cafeicultura paranaense. Os dois receberam troféu com um grão de café estilizado.
Segundo José Henrique Ferroni, vice-presidente da Acenpp, a homenagem concedida a Andrade Vieira foi uma unanimidade entre todos os associados da entidade, uma vez que o ex-ministro é ''um exemplo para todos os brasileiros, paranaenses e cafeicultores''. Como ministro, Ferroni destacou que Andrade Vieira estruturou o Senar e ainda implantou e implementou ações para a modernização do ministério, tornando as políticas mais ágeis e eficientes. Ele ainda lembrou que no início da década de 90 a cafeicultura ''fazia miséria'' no campo devido aos baixos preços praticados no mercado internacional.
Em setembro de 1992, cafeicultores do Norte Pioneiro decidiram procurar o então senador Andrade Vieria - que já havia sido convidado a chefiar o Ministério da Indústria e Comércio - para expor a situação. Depois de estudar o assunto, o ministro descobriu que havia altos estoques mundiais e, por isso, a cotação era baixa. Então, por iniciativa própria, pegou seu avião e visitou os principais países produtores: Colômbia, Costa Rica, Costa do Marfim e África do Sul e sugeriu que todos segurassem as vendas. Também naquele período houve a iniciativa de criação de uma associação internacional de países produtores, fundada em abril de 93.
Depois da criação desta associação, a cotação do café - que estava na casa dos US$ 40 a saca - foi elevada para US$ 100 em apenas seis meses. Os estoques mundiais foram baixados de 14 milhões a 15 milhões de sacas para entre 2 milhões e 3 milhões de sacas. ''Este feito o mundo cafeeiro não esquecerá. Foi a 'salvação da lavoura''', enfatizou Ferroni. Andrade Vieira agradeceu a homenagem e, em um breve discurso, disse estar muito satisfeito e realizado por ter contribuído com a cafeicultura brasileira. Ele também lembrou que as discussões sobre a qualidade do grão nacional foram iniciadas quando ele ainda estava à frente do ministério.
Já o cafeicultor Luiz Marcos Suplicy Hafers foi homenageado por ser um ''grande defensor'' da classe e por conhecer em detalhes a parte técnica e a política cafeeira. Hafers lembrou que a cafeicultura faz parte da vida de toda a sua família, tendo iniciado por seu bisavô. Inclusive, a família ainda mantém a propriedade de seu avô - adquirida em 1908 em Ribeirão Claro (24 km a leste de Jacarezinho) - mantendo os cafezais. (F.M.)

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