Andrade Vieira agora cuida de jornal e fazenda
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de dezembro de 2004
Agência Estado 
Curitiba - Há 15 anos, o ex-banqueiro, ex-senador e ex-ministro José Eduardo de Andrade Vieira, 65 anos, era um dos empresários e políticos mais influentes na economia e política do Paraná. Em suas mãos estava o Banco Bamerindus, um dos mais importantes do País, e foi cogitado para disputar a Presidência da República. A intervenção do Banco Central (BC) no Bamerindus, em 1997, e o fim do mandato como senador, em 1998, mudaram essa trajetória.
Longe dos holofotes e, apesar da indisponibilidade de mais de 20 empresas, ainda restou algo a administrar. ''Minha vida não mudou muito nos últimos 40 anos'', afirma. ''É modesta, com muito trabalho e vontade de fazer o País crescer.'' Durante a semana, vive entre o prédio do jornal ''Folha de Londrina'' e o apartamento no Centro da cidade. Dá duro, segundo seus funcionários. Nos fins de semana, refugia-se na Fazenda Capela, em Joaquim Távora, a 150 km de Londrina, cuja administração está a cargo de dois filhos, mas com a voz do pai sempre presente.
A fazenda, considerada produtiva na última vistoria do Incra, tem como principal atividade a pecuária. Também há espaço para produção de milho.
Os vencimentos vêm de uma aposentadoria como senador e do fundo de pensão que tinha no Bamerindus. Segundo ele, é só. O jornal, afirma, ainda não deu lucro. O primeiro e pequeno lote de ações da ''Folha de Londrina'' Vieira adquiriu há 12 anos, entrando como ''sócio capitalista''. Depois passou a sócio majoritário e administrador.
Andrade Vieira não quer nem ouvir falar em voltar para a vida política e afirma não ter saudade do tempo em que sua vida era o Bamerindus. ''Apenas lamento muito que o Brasil tenha perdido uma instituição das mais sérias e mais sólidas. Lamento que tenha ficado nas mãos de pessoas capazes de causar tanto mal quanto a equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso causou.'' Segundo ele, o Bamerindus tinha os mesmos problemas que outros bancos, mas o BC não o tratou como aos outros, preferindo a intervenção e a venda.
''O prejuízo não é meu, pois tinha 12% a 13% do banco, mas do Paraná e do Brasil'', afirma. ''Enriqueceram mais um grupo estrangeiro e deixaram para trás 50 mil acionistas.'' Vieira diz que o Bamerindus prestava um serviço bom e barato aos clientes. ''Hoje, como cliente, vejo quanto se é explorado'', criticou. ''Há um cartel dos bancos liderado pelo BC.''


