A Associação Nacional das Instituições de Mercado Aberto (Andima) prevê que 2002 será um ano difícil para o Brasil, em consequência dos ataques terroristas aos Estados Unidos e da vulnerabilidade externa do País. As 20 instituições financeiras que participam da associação revisaram em setembro o cenário projetado há dois meses e elevaram as previsões de taxas de juros e inflação para este e o próximo ano, reduzindo por outro lado a expectativa sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A taxa de juros Selic, que para a instituição chegaria em dezembro deste ano em 18,18%, cresceu para 19,06%.
O pessimismo é maior também em relação a 2002, com revisão da taxa estimada em 15,58% (projeção de julho) para 17%. No caso do PIB, a Andima reduziu a expectativa para 2001 de um crescimento de 2,51% para 1,5% e, para 2001, de 2,82% para 1,85%.
A avaliação da Andima é que a economia brasileira deverá registrar em 2002 taxa de juros real elevada, baixo crescimento e volatilidade no câmbio. Esse cenário, segundo a instituição, leva em conta uma retração da economia mundial nos próximos dois trimestres, levando em conta a crise internacional provocada pelos atentados terroristas.
A instituição acredita que a perspectiva de guerra levará a redução da oferta de financiamento externo na América Latina, incluindo o Brasil.
As contas externas foram apontadas pela Andima como o item que deverá sofrer maior restrição no País. Para a instituição, o menor ingresso de capitais estrangeiros tende a dificultar a rolagem de dívidas e diminuir os investimentos.
Por outro lado, é esperada uma ''reação do comércio exterior'' brasileiro no próximo ano, com superávit de US$ 3,4 bilhões, proporcionado mais pela redução de importações do que por um aumento significativo das exportações.

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