Andima prevê crescimento de 3,5% do PIB
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sexta-feira, 02 de junho de 2000
Agência Estado Do Rio 
A Comissão de Acompanhamento Macroeconômico da Associação Nacional de Instituições do Mercado Aberto (Andima) avaliou que o Comitê de Política Econômica (Copom) está preocupado em excesso com as turbulências do mercado internacional, sem dar importância ao bom andamento da economia brasileira, para decidir sobre a taxa de juros no País. Segundo este grupo, esta atenção exclusiva ao cenário externo impede a redução dos juros, e em consequência, deve provocar um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% inferior à taxa de 4% prevista pelo próprio governo.
A comissão é formada por 15 economistas-chefes de bancos que atuam no Brasil. Ontem, ela divulgou novas previsões para o desempenho da economia brasileira, que são renovadas a cada dois meses. Apesar de o relatório dizer que a avaliação sobre a política dos juros ter sido feita por parte destes economistas, a superintendente técnica da Andima, Valéria Coelho, afirmou que a crítica foi praticamente um consenso.
Os analistas afirmam que o governo adota a mesma postura quando analisa o chamado Risco Brasil, a percepção de risco de investimento na economia brasileira, para o mercado externo. Para os economistas o Banco Central (BC) olha apenas o risco de curto prazo, mostrado pelo desempenho dos títulos do governo brasileiro. E não leva em conta as perspectivas de médio e longo prazo, demonstrados pelos investimentos externos diretos previstos em US$ 24,6 bilhões neste ano e US$ 20,8 em 2001 pela Andima.
A política conservadora do Copom e do Banco Central (BC) fará com que os juros nominais terminem o ano em 17,9%, segundo a comissão. Eles também projetam uma redução lenta para o próximo ano quando a taxa deverá baixar para 15%. Somente em 2001 os analistas esperam um crescimento de 4% do PIB, quando o seu valor chegará a US$ 652,9 bilhões.
A Comissão de Acompanhamento Econômico também não aguarda uma redução rápida do desemprego. A taxa média deste ano, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve ficar em 7,7%, baixando para 6,9% em 2001. Por causa da permanência da alta do petróleo e do aumento das importações maior do que o esperado, com a recuperação econômica, a projeção de saldo da balança comercial foi reduzida de US$ 3,9 bilhões para US$ 2,5 bilhões neste ano.
A inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) do IBGE, deve ficar em 6,1% neste ano apenas 0,1 ponto percentual acima da meta fixada pelo Ministério da Fazenda para ser atingida pelo BC. Para o ano que vem, a estimativa é de 4,4%.


