Porto Alegre Além dos aspectos técnicos e políticos que envolvem a questão da biotecnologia e dos produtos transgênicos um outro tema tomou o centro dos debates do IV Congresso Brasileiro de Biossegurança, que terminou ontem, em Porto Alegre: o desafio de promover, difundir e popularizar estes temas por toda a sociedade, principalmente entre professores e estudantes.
As discussões não ficaram restritas ao Simpósio de Popularização de Biotecnologia, realizado durante o congresso, mas tomou conta das palestras e do bate-papo nos corredores, entre cientistas, representantes de organismos internacionais, organizações não-governamentais (ONGs) e instituições de pesquisa.
Segundo Leila Oda, presidente da Associação Nacional de Biossegurança, entidade organizadora do congresso, este assunto vai ao encontro da missão da ANBio de tornar públicas as informações sobre a ciência, buscando informar estudantes, professores e a sociedade dos avanços da biotecnologia e das mudanças que ela promove no cotidiano das pessoas.
Para avançar nesta popularização, a ANBio lançou o primeiro número da revista de biotecnologia Biopop. Publicação bimensal, com distribuição gratuita e tiragem de 28 mil exemplares, a revista é destinada a professores do ensino médio e profissionalizante de todo o País, editada com apoio dos ministérios da Ciência e da Tecnologia e da Educação.
A Biopop apresenta editorias fixas que tratam de temas ligados à agricultura, alimentação, arte e ciência, saúde, zootecnia, biossegurança e meio ambiente. Além da versão impressa, o conteúdo da revista está disponível na Internet, no site www.biopop.com.br
Conforme Leila Oda, a revista é um elo entre o mundo científico, tecnológico e a sociedade em geral. ''A Biopop vai levar informação qualificada sobre temas da atualidade para os professores, principais agentes de formação dos jovens'', explicou.
A presidente da ANBio destacou que, apesar de 30 anos de engenharia genética, ainda existe muita desinformação, informações divergentes e debate emocional. ''O bem mais importante do século 21 é a informação. Quem detiver a informação, vai ter mais condições de crescimento'', afirmou Leila Oda.
Em seus estudos, ela verificou que o uso da tecnologia de DNA recombinante na medicina é muito mais aceito do que na agricultura. ''O maior problema é a desinformação. Este assunto precisa estar no centro dos debates, nas conversas de botequim, porque é muito importante para toda a sociedade, não deve ficar restrito aos gabinetes'', disse.
*O jornalista participou do congresso a convite da ANBio

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