Anatel diz que faltam fatos novos em plano da Sercomtel
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terça-feira, 18 de dezembro de 2018
Fábio Galiotto - Reportagem Local 

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) não aprovou as alegações finais apresentadas pela defesa da Sercomtel no último dia 5 novembro, no processo de caducidade da concessão de telefonia fixa. A agência suspeita de risco à continuidade na prestação de serviços. E-mails assinados por superintendentes da Anatel citam a falta de fatos novos que mostrem uma saída para a crise econômico-financeira da empresa, com a decisão próxima da deliberação final, no Conselho Diretor da Anatel.
Segundo textos das mensagens eletrônicas enviados pela agência ao investidor Marcelo Kneese, do grupo de investimentos 10 de Dezembro , o processo do Pado (Procedimento para Apuração de Descumprimento de Obrigações) está "quase concluso para Decisão" e as alegações finais apresentadas pela defesa da empresa em novembro último "não trazem fatos novos ao processo". Ainda, é citado que "não há condições de afastar a forte crise econômico-financeira pela qual vem passando a Sercomtel, permanecendo os riscos já apontados em análises interiores".
Depois de assumir oficialmente na segunda-feira (17), o novo presidente da Sercomtel, Claudio Tedeschi, afirmou que já fora informado sobre a percepção, dentro da Anatel, em relação ao plano de recuperação apresentado pela telefônica londrinense. "O problema é que estamos em fim de ano, fins de mandatos no governo estadual e no federal, mas logo no início do ano vamos voltar a conversar com os novos representantes do governo e da Anatel", disse.
Tedeschi considerou que tanto a diretoria da Copel, que tem 45% das ações e é considerada como parceira estratégica, quanto a da Anatel vão mudar. Indicado pela Prefeitura de Londrina, proprietária de 55% da empresa, ele disse não acreditar que há risco de a caducidade ser decretada logo no início do ano. "Nenhum risco não posso afirmar, mas acredito que eles vão ter bom senso porque estamos buscando reforçar ações para melhorar a parte financeira", citou.
Tedeschi afirmou ainda que o debate sobre o futuro da Sercomtel passa pela Câmara de Vereadores, que aprovou na noite da última quinta-feira (3), em primeira votação, o projeto de lei que revoga a necessidade de plebiscito para alienação de ações da Sercomtel por parte da Prefeitura. Os parlamentares, porém, mantiveram a exigência de aprovação do Legislativo para qualquer negócio do tipo. "É um exemplo de como não temos como apressar mais a solução. Vai ficar para o início do ano", disse o presidente da telefônica. O segundo turno será nesta terça-feira (18).
O prefeito Marcelo Belinati foi procurado na tarde desta segunda-feira, mas não retornou até o fechamento desta edição. Ele tem defendido que a solução para a Sercomtel passa pelo aporte de R$ 100 milhões da Copel. Ninguém da diretoria do parceiro estratégico, porém, está autorizado a falar sobre o assunto porque a companhia de eletricidade é de capital aberto e precisa comunicar investidores antes.
O último balanço publicado no site da Sercomtel, referente a 2017, aponta passivos de R$ 230,1 milhões em curto e médio prazos, valor que pode aumentar diante da soma de processos judiciais ainda em andamento. A maior parte, porém, é em impostos e em ações judiciais. A receita bruta da Sercomtel foi de R$ 285,6 milhões em 2017.


