Analistas veem espaço para redução da meta de inflação
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sábado, 04 de setembro de 2010
Francisco Carlos de Assis<br> Agência Estado 
São Paulo - Especialistas acreditam que a meta de inflação do Brasil, fixada pelo Conselho Monetário Nacional em 4,5% para 2010 com uma banda de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo, pode ser reduzida nos próximos anos, independente dos efeitos remanescentes da crise internacional. Desde 2005, a meta de inflação não é alterada e se mantém em 4,5%. Os analistas reconhecem que imprevistos no curso dos últimos anos impediram a concretização do objetivo inicial do regime de metas: a queda ano a ano do patamar de inflação.
O sócio-diretor da MCM Consultores, Antônio Madeira, rememora a programação original do sistema de metas, implantado em 1999 pelo então presidente do Banco Central Armínio Fraga. A meta inicial era de 9%. Para 2000, a ideia era reduzi-la para 6% e, no ano seguinte, para 4%. Para os anos de 2002, 2003 e 2004, a programação previa metas de, respectivamente, 3,5%, 3,25% e 3,75%. Devido aos problemas econômicos em 2002, as metas foram ajustadas para 4% em 2002 e 2003 e para 5,50%, em 2004. Desde 2005 até 2012, a meta foi estabelecida em 4,5%.
Para o economista-chefe do Itaú Unibanco e ex-diretor de Política Econômica do BC, Ilan Goldfajn, a meta de inflação estabelecida para o futuro deveria refletir a tendência de queda e ficar abaixo da meta atual. ''O Brasil deveria continuar na sua bem sucedida trajetória de queda da inflação para patamares mais próximos à média de inflação das economias emergentes'', diz o economista, explicando que esta média está em torno de 3%.
O professor de economia da Universidade de São Paulo (USP), Heron do Carmo, sempre foi um defensor da redução da meta de inflação. Há seis anos, quando ainda coordenava as pesquisas de preços ao consumidor na Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), ele já defendia a redução da meta. Hoje ele mantém o discurso, mas pondera que não é mais tão simples reduzir a meta de 4,5% para 3%, por exemplo, porque a inflação encontra-se acima da meta. Mas paulatinamente, defende o professor, o ideal é que a meta de inflação atingisse 2%. ''Depois que a nossa inflação chegar aos 2%, não precisará mais mexer na meta'', avalia Heron.
''Acho que é altamente desejável a redução da meta de inflação'', avalia o professor de econometria e coordenador do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Picchetti. Na avaliação dele, a meta poderia já ter sido reduzida se o BC tivesse contado com a ajuda do governo na área fiscal. ''Mas a sinalização que temos é de mais deterioração das contas públicas. A meta fiscal deste ano já está comprometida'', lamenta Picchetti, acrescentando que, ''mexeria mais com o fiscal, porque o sistema de metas sozinho não consegue convergir a inflação para o centro da meta.''


