Rio - A tentativa do candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de acalmar o mercado financeiro, afirmando que honrará todos os contratos firmados pelo Brasil, veio tardiamente. Esta é opinião da grande maioria dos analistas e economistas consultados pela Agência Estado. ‘‘Se isso tivesse sido feito há um mês, talvez desse certo. Agora funciona como um cala-boca para que Lula prossiga com sua campanha sem levar a culpa das turbulências’’, opinou o analista econômico da corretora Ágora-Senior, Fernando Buarque.
Para o analista, qualquer efeito positivo que as declarações de Lula possam trazer num primeiro momento será suplantado no minuto seguinte, já que a especulação virá mais forte.
‘‘O ministro Pedro Malan (Fazenda) não faz campanha para José Serra (candidato do PSDB). Mas existem setores ligados à campanha dele que têm interesse nesse clima de terror’’, disse.
O economista da PUC-Rio Luiz Roberto Cunha considerou correta a atitude do candidato do PT, sobretudo ao deixar claro que não existem milagres para o problema estrutural do governo. ‘‘Mas é difícil avaliar os efeitos. O mercado anda muito irracional e com alto grau de pessimismo.’’ Cunha observou que a administração da dívida se tornou uma equação difícil, principalmente porque o País atravessa uma crise de confiança. E como o dinheiro tem uma dinâmica própria, diz, não é possível fazer uma leitura concreta de como o mercado vai se comportar. ‘‘Uma coisa é certa: toda irracionalidade tem um custo. Todo especulador acaba perdendo. E eu torço para que os especuladores percam’’, assinalou.
Para o estrategista do banco suíço UBS Warburg, Marcelo Mesquita, o compromisso manifestado por Lula de manter a política econômica vigente no processo de transição de governo não ajuda na totalidade do mercado.
Na sua avaliação, o candidato petista precisa provar que as posições econômicas do partido mudaram. E, para ele, só há um jeito. ‘‘Ajudar, com o seu voto, o Congresso Nacional a aprovar a proposta de um Banco Central independente.’’
Esta também é a opinião do consultor Julius Buchenrode, da JHB Consultoria de Investimentos. Ele argumenta que não basta apenas o Lula afirmar que não haverá descontinuidade . É preciso o candidato esclarecer à sociedade o que de fato será seu governo, como, por exemplo, o que significa manter os contratos, quem será seu ministro da Fazenda e que propostas efeitivas ele apresenta.
‘‘No momento a leitura que se faz é que as delarações de Lula foram feitas para acalmar o mercado. Não convence. A apresentação da equipe é um dado importante para que os eleitores possam avaliar qual será o perfil de seu eventual governo’’, avaliou.

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