Analistas trocam gráficos por mapa astral
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de outubro de 1998
Agência Estado 
O que vale mais, um gráfico dos mercados ou um mapa astral? Esta é a pergunta que alguns analistas começam a fazer diante do surgimento de um método que busca determinar as tendências dos mercados com o movimento dos ciclos planetários: a astrologia financeira.
É que agora a abóbada celeste abriga, para muitos, as respostas que não são encontradas na infinidade de variáveis que os computadores mais modernos podem combinar. Embora a prática de predizer sucessos financeiros com a ajuda dos astros ainda não seja popular nem comprovada, pelo menos ela começa a chamar a atenção.
RCV Financials, uma das empresas dedicadas à astrologia financeira e que promove seus serviços mediante mala direta enviada às corretoras de valores ligadas às bolsas do México e dos Estados Unidos, adverte em sua página na Internet que esses prognósticos contam com cerca de 70% de probabilidades de acerto. Por sua parte, os analistas técnicos defendem seus métodos afirmando que possuem alguns pontos mais de acerto ao falar de questões financeiras.
Obviamente 100% de acerto diário seria excelente, mas isso é quase impossível. Na análise técnica chega-se a ser considerado como um bom especialista aquele que acerta 80%, disse um especialista que pediu anonimato. Nisto estamos quase que de acordo porque há quem acredite e quem não acredite em análises técnicas. Eu as vejo como um elemento mais de apoio, nada mais, é como fazer horóscopo com instrumentos. Coincidentemente depois de ter sofrido os efeitos da volatidade internacional e de ter regressado aos níveis de 1996, o principal Índice da Bolsa do México começou um rally de altas dias antes da suposta entrada de Libra.
Há várias aproximações, uma delas é o mapa astral. Por exemplo, para uma empresa toma-se como data de nascimento a primeira vez em que suas ações foram negociadas na bolsa, explicou Luis Lessur, presidente da filial mexicana do Instituto de Pesquisas Geocósmicas.
Para outros, os mercados tendem a subir quando a Lua encontra-se em um signo zodiacal de fogo ou ar, como seria o caso de Libra, que rege os nascidos entre 22 de setembro e 23 de outubro, e a baixar quando passa pelos signos de terra ou água, como Câncer. Lessur adverte, no entanto, que este ramo da astrologia não poderá fincar raízes no México, pois a maioria das pessoas que se dedicam a ganhar dinheiro com transações em bolsas é muito cética e apegada a estratégias mais ortodoxas.
De qualquer forma, a diferença no custo dos programas ou livros que ensinam alguns princípios sobre astrologia financeira diante dos tradicionias é abismal. Enquanto os primeiros chegam a ter um preço de até US$ 5.000, um programa de computador para se conseguir um mata astral gira em torno de US$ 300. Lessur, que assessora vários políticos do Congresso mexicano, afirma que, ironicamente, é em Nova York, um dos principais centros financeiros do mundo, onde esta prática está tomando força.
Este tipo de prática astrológica tem sido mencionada em algumas ocasiões pela revista Forbes. Em Nova York há três companhias que se dedicam a assessorar operações em bolsas utilizando critérios astrológicos, afirma. Desta forma, há aqueles que comparam o movimento das ações ou dos papéis das dívidas com o dos planetas, no sentido de que, como suspeitavam os antigos gregos, estes elementos coincidem com os que são móveis.
Mas para aqueles que seguem os passos do britânico John Maynard Keynes, o pai da economia moderna, decidir onde canalizar uma aplicação com esses métodos é pura ignorância. Não creio que este tipo de coisa deva ser aplicada na tomada de uma decisão de investimento. Atribuir a um planeta ou a uma estrela este poder é pura ignorância, afirma Luis Ballescá, diretor do Instituto de Mercado de Valores. O que acontece é que se desconhecemos o que passa em todo o Universo, é fácil que atribuam certas explicaçes aos astros, concluiu.


