Analistas prevêem medidas suaves em 97
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de novembro de 1996
Agência Estado, 
O governo deverá atuar de modo suave na implementação de medidas de contenção da atividade econômica a partir do primeiro trimestre do ano que vem e o fará através de instrumentos coercitivos ao crédito, sem lançar mão de ações agressivas nas áreas cambial, fiscal ou monetária. Este é o resultado da pesquisa Sondagem de Tendências realizada anteontem pela Consultores Associados, que reúne dez empresas de análise econômica, ouvindo quarenta corretoras de valores. Também participaram da enquete o ex-ministro Mailson da Nóbrega, o ex-diretor do Banco Central, Emílio Garófalo, o presidente do Banco do Brasil, Paulo Cesar Ximenes, além de Alcindo Ferreira (ex-chefe de câmbio do BC) e o consultor Nathan Blanche.
Segundo Luiz Fernando Lopes, chefe do Departamento Econômico da Trend Análise Econômica, o destaque da pesquisa realizada ontem foi a maior tranquilidade dos participantes em relação à política cambial, embora houve, ainda, preocupações em relação aos números da balança comercial. Ficou claro que não há crise a curto prazo, afirma. Não há mais aquele otimismo de meses atrás, mas as pessoas estão mais calmas em relação à pesquisa do mês passado. A pesquisa Sondagem de Tendências é realizada mensalmente e procura detectar as opiniões de corretoras de valores clientes da Consultores Associados, da qual a Trend faz parte.
A maioria dos entrevistados (74,53%) considerou provável a aprovação da emenda de reeleição para todos os níveis. Os participantes da pesquisa, à ordem de 70,6% dos consultados, afirmaram que que o governo deverá medidas leves para restringir da atividade econômica em 1997. Estas medidas, segundo 48% dos consultados, serão prioritariamente na área de crédito. A possibilidade da adoção de instrumentos de política fiscal ficou com 28% das possibilidades, enquanto a política monetária recebeu o voto de 20% dos entrevistados. Somente 4% acreditam que haverá alterações da política cambial como forma do governo conter o crescimento da economia.
Para a maioria dos entrevistados (47,4%), as medidas, se vierem a ocorrer, acontecerão no primeiro trimestre do ano que vem. Outra parcela grande dos pesquisados (42,1%) acham que poderão ocorrer no segundo trimestre de 1997. Além destas previsões, os consultados da Sondagem de Tendências revelaram seus números para o ano que vem. O déficit da balança comercial deverá ser de US$ 5,760 bilhões, o PIB crescerá 3,42% e a inflação medida pela Fipe ficará em 7,56%. Segundo Luiz Fernando Lopes, houve, em relação à reunião do mês passado, correção para cima das estimativas de déficit da balança comercial e redução das projeções para o crescimento do PIB e também para a inflação.


