A maioria dos analistas acredita que há espaço para novas reduções até o final do ano – em vista da baixa inflação e do bom fluxo de capitais externos. ‘‘A equação é simples. Se há bom fluxo de capitais e a inflação está sob controle, e esse é o caso, há espaço para cortar os juros’’, afirma Rogério Estevão, diretor do Unibanco. Apesar dessa análise, Estevão não esperava o corte promovido pelo governo ontem.
‘‘Achei que o juro não fosse cair novamente agora. Mas, sem dúvida, o ambiente é de taxa em queda. A inflação ainda permite reduções, e a economia precisa crescer mais’’, diz Reinaldo Grazie, diretor do Lloyds Bank. Grazie estima que o juro básico terminará o ano em 15%.
Na opinião do economista-chefe do Lloyds, Odair Abate, a redução em meio ponto estava dentro do leque de opções com que o BC poderia trabalhar sem influenciar negativamente o mercado. ‘‘Na verdade, a surpresa ocorreu na última reunião do Copom’’, disse.
O presidente da Federação Nacional das Distribuidores de Veículos (Fenabrave), Hugo Maia, acha que a redução de juros não está chegando à ponta do consumo. ‘‘As taxas do cheque especial ainda são altas e tiram um pouco do poder de compra. Mas nós vínhamos trabalhando com essa taxa para a nossa projeção de vendas’’, diz ele. A Fenabrave projeta crescimento de 8% nas vendas este ano, ou 1,2 milhão de carros vendidos.

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