Projeções do mercado coletadas semana passada pelo Banco Central indicaram uma piora generalizada dos indicadores econômicos. Além de um aumento dos juros, os analistas estimaram uma piora da balança comercial e um crescimento menor do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados, no entanto, ainda não consideraram o impacto do Plano de Racionamento de Energia que só foi divulgado pelo governo na sexta-feira.
‘‘A expectativa é que os dados piorem ainda mais esta semana’’, admitiu André Loes, economista-chefe do Banco Santander. Além da deterioração da balança comercial – que fecharia o ano com um déficit de US$ 1,5 bilhão ante a estimativa de US$ 1,25 bilhão da semana anterior –, muitos analistas consultados pelo BC apostaram que o crescimento do PIB será de 4% quando antes esperavam 4,1%. Mas cinco instituições consideradas pelo Banco Central como sendo de ponta por causa do alto grau de acerto em suas previsões chegaram a prever um aumento do PIB menor, com projeções de 3,80%.
Odair Abate, economista-chefe do Lloyds TSB explicou que o impacto do racionamento não pôde ser levado integralmente em conta porque as instituições não tinham os detalhes do plano. Portanto, foi estimado algum efeito, mas não o impacto real das medidas. Em relação à inflação, a maior parte do mercado aposta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará o ano em 5% quando o esperado, na semana anterior, era 4,67%. As cinco instituições consideradas top, no entanto, aumentaram suas projeções de 4,64% para 5,01%.
Individualmente, alguns economistas de mercado, já apostam em 6% ou mais. Segundo os analistas consultados pelo BC, o maior aumento vai ocorrer no Índice Geral Preço – Disponibilidade Interna (IGP-DI) que chegará a 6,50% ante 6,15% da semana anterior. O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) passou de 6,10% para 6,54% enquanto o IPC da Fipe saltou de 4,50% para 4,90%. De acordo com Abate, neste caso também foi considerado o aumento do transporte urbano em São Paulo.
Em relação aos juros básicos, os analistas esperam que, ao final deste ano, a taxa Selic estará em 16% ao ano ante os 15% da semana anterior. O câmbio ficará em R$ 2,15 enquanto a expectativa era de US$ 2,12. Não houve piora na estimativa de superávit primário (resultado da receita menos a despesa), que permaneceu nos 3% constantes do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

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