Analistas prevêem juro maior e PIB menor
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segunda-feira, 21 de maio de 2001
Agência Estado De Brasília 
Projeções do mercado coletadas semana passada pelo Banco Central indicaram uma piora generalizada dos indicadores econômicos. Além de um aumento dos juros, os analistas estimaram uma piora da balança comercial e um crescimento menor do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados, no entanto, ainda não consideraram o impacto do Plano de Racionamento de Energia que só foi divulgado pelo governo na sexta-feira.
A expectativa é que os dados piorem ainda mais esta semana, admitiu André Loes, economista-chefe do Banco Santander. Além da deterioração da balança comercial que fecharia o ano com um déficit de US$ 1,5 bilhão ante a estimativa de US$ 1,25 bilhão da semana anterior , muitos analistas consultados pelo BC apostaram que o crescimento do PIB será de 4% quando antes esperavam 4,1%. Mas cinco instituições consideradas pelo Banco Central como sendo de ponta por causa do alto grau de acerto em suas previsões chegaram a prever um aumento do PIB menor, com projeções de 3,80%.
Odair Abate, economista-chefe do Lloyds TSB explicou que o impacto do racionamento não pôde ser levado integralmente em conta porque as instituições não tinham os detalhes do plano. Portanto, foi estimado algum efeito, mas não o impacto real das medidas. Em relação à inflação, a maior parte do mercado aposta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará o ano em 5% quando o esperado, na semana anterior, era 4,67%. As cinco instituições consideradas top, no entanto, aumentaram suas projeções de 4,64% para 5,01%.
Individualmente, alguns economistas de mercado, já apostam em 6% ou mais. Segundo os analistas consultados pelo BC, o maior aumento vai ocorrer no Índice Geral Preço Disponibilidade Interna (IGP-DI) que chegará a 6,50% ante 6,15% da semana anterior. O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) passou de 6,10% para 6,54% enquanto o IPC da Fipe saltou de 4,50% para 4,90%. De acordo com Abate, neste caso também foi considerado o aumento do transporte urbano em São Paulo.
Em relação aos juros básicos, os analistas esperam que, ao final deste ano, a taxa Selic estará em 16% ao ano ante os 15% da semana anterior. O câmbio ficará em R$ 2,15 enquanto a expectativa era de US$ 2,12. Não houve piora na estimativa de superávit primário (resultado da receita menos a despesa), que permaneceu nos 3% constantes do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).


