Analistas prevêem freio
SÃO PAULO - Os números do déficit comercial para fevereiro, que começam a circular no mercado, deflagraram nova rodada de revisão nas projeções de analistas e economistas sobre a balança comercial neste ano. A dúvida é qual o limite de déficit que o mercado aceitará em 1997, mas é unânime a idéia de que o governo promoverá um freio na atividade econômica ainda neste primeiro semestre para chegar com fôlego no cronograma eleitoral em 1998.
A trajetória de crescimento das importações é muito forte, afirma o analista econômico senior do Banco SRL, Robério Costa. O banco acabou de revisar sua projeção de déficit comercial para 97 para algo em torno de US$ 10 bilhões. Mas esse número, que é bastante elevado, já contempla medidas de freio na economia pelo governo, diz Costa. Ele acredita que o governo poderá segurar a atividade econômica através de contenção ao crédito.
Dificilmente medidas para frear a economia deixarão de acontecer no segundo trimestre, prevê o analista da LCA Consultores, Bernardo Gouthier Macedo. Não será preciso subir juros, basta apenas a contenção de crédito. Para Macedo, a projeção do Ipea para a produção industrial do segundo trimestre - queda de 3,5% - já corrobora essa expectativa de freio na economia do mercado. Segundo Macedo, se o governo não tomar nenhuma medida e deixar a atividade econômica no nível atual, o PIB poderá crescer em 97 algo entre 6% a 7%, o que subiria a projeção atual da LCA Consultores de déficit comercial para este ano de US$ 8 bilhões para além dos US$ 12 bilhões. Resta saber se o governo estará disposto a testar o limite de aceitação do capital externo para o déficit comercial, disse o analista.





