Brasília - A redução de 2,5 pontos porcentuais da taxa básica de juros (Selic) anunciada na semana passada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) não foi suficiente para reverter a tendência de queda nas projeções do mercado financeiro para o crescimento da economia em 2003. A última pesquisa semanal feita pelo Banco Central (BC) entre instituições financeiras e empresas de consultorias, divulgada ontem, mostra que a estimativa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano caiu de 1,46% para 1,40%. Foi a terceira revisão consecutiva das expectativas, o que deixou a previsão do mercado ainda mais distante do 1,5% projetado pelo BC no Relatório de Inflação de junho. Para 2004, o mercado manteve a previsão de crescimento de 3%.
A redução da taxa Selic de 24,5% para 22% ao ano também não alterou muito a trajetória declinante das projeções de inflação que já vinha se manifestando nas pesquisas anteriores. A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano recuou pela décima-segunda vez, de 9,74% para 9,63%, aproximando-se um pouco mais da meta oficial de 8,5%. A previsão para 2004 também caiu, passando de 6,50% para 6,20%, ficando também mais perto do centro da meta de 5,5% estabelecida para o próximo ano.
O anúncio de flexibilização da política monetária também não afetou significativamente as projeções de mercado para o comportamento da taxa de câmbio. As estimativas para a cotação do dólar no fim deste e do próximo ano até recuaram, caindo de R$ 3,17 para R$ 3,15, e de R$ 3,41 para R$ 3,40, respectivamente. A projeção de superávit da balança comercial para o corrente ano permaneceu nos US$ 18 bilhões da pesquisa anterior. Mas a estimativa para 2004 subiu de US$ 15 bilhões para US$ 15,11 bilhões.

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