Além do Banespa, cujo leilão esta agendado para acontecer em 18 de junho, outros dois bancos estaduais devem ser privatizados neste ano: o Banco do Maranhão (BEM) e o Banco do Estado do Paraná (Banestado). Outras três instituições estão em processo de reestruturação e devem ser colocadas à venda no próximo ano: os Bancos do Ceará, de Goiás e de Santa Catarina, considerado o mais atraente.
O Banco do Maranhão já publicou seu edital, mas o governo está revendo o preço mínimo, de R$ 152,3 milhões, a pedido do Banco Central. O banco será leiloado no dia 20 de junho. Três bancos estão pré-qualificados: Bradesco, Itaú e Unibanco.
Um estudo da consultoria Austin Asis mostra que o banco dobrou seus ativos entre dezembro de 1998 e dezembro do ano passado – de R$ 246 milhões para R$ 538 milhões – mas a taxa de inadimplência aumentou de 13,3% para 15,5%.
O Banestado, um banco com R$ 6,3 milhões de ativos e patrimônio líquido de R$ 433 milhões, cujo valor de venda está estimado em R$ 1,5 bilhão, deve ser alvo de uma razoável disputa pelos grandes do mercado. Com a reestruturação, o banco reduziu fortemente seu índice de inadimplência, que passou de 31,5% em dezembro de 1998 para 12,2% em dezembro do ano passado.
Além da disputa no leilão, os analistas prevêem também uma batalha judicial antes da privatização. ‘‘A venda do Banestado deve ser enrolada como a do Banespa’’, diz o analista de bancos da Corretora Sudameris, Gilberto de Souza, que não acredita na privatização da instituição ainda este ano. O leilão está previsto para setembro.
Além do Banestado, Souza prevê uma disputa entre os grandes para comprar o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), que está em processo de federalização e será oferecido ao mercado no próximo ano. Entre dezembro de 1998 e de 1999, o Besc teve seu volume de ativos reduzido de R$ 2,5 bilhões para R$ 1,6 bilhão, com aumento da taxa de inadimplência, passando de 18,5% para 27,1% no mesmo período.
Embora alguns bancos tenham uma carteira razoável de clientes e boa presença nos mercados em que atuam, os bancos estatais são considerados pelos analistas menos atraentes do que seus similares – em tamanho – privados. ‘‘São institutições menos preparadas em termos de tecnologia e qualificação de pessoal’’, diz o diretor de bancos da KPMG, Paulo Cunha.
O analista da área de consumo e bancos do Banco Pactual, Gustavo Hungria, acha que os outros bancos estaduais ou federalizados não devem atrair o interesse das institutições estrangeiras. ‘‘Para um banco nacional interessa comprar um banco pequeno e ampliar mercado, mas para um estrangeiro a estratégia talvez seja outra’’, afirma Hungria.
O único banco que realmente faria diferença para os estrangeiros é o Banespa, que colocaria qualquer um deles no terceiro lugar no ranking. Entre os nove bancos que disputam a instituição, o único que não mudaria sua posição, se comprasse o banco, é o Bradesco, que já tem a liderança entre os bancos privados.
O Itaú, que ocupa o segundo lugar, por sua vez, passaria para a liderança, e o Unibanco, atualmente em terceiro, também subiria no ranking, passando para o segundo lugar.

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