Analistas prevêem batalha judicial na venda do Banestado
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sábado, 20 de maio de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Além do Banespa, cujo leilão esta agendado para acontecer em 18 de junho, outros dois bancos estaduais devem ser privatizados neste ano: o Banco do Maranhão (BEM) e o Banco do Estado do Paraná (Banestado). Outras três instituições estão em processo de reestruturação e devem ser colocadas à venda no próximo ano: os Bancos do Ceará, de Goiás e de Santa Catarina, considerado o mais atraente.
O Banco do Maranhão já publicou seu edital, mas o governo está revendo o preço mínimo, de R$ 152,3 milhões, a pedido do Banco Central. O banco será leiloado no dia 20 de junho. Três bancos estão pré-qualificados: Bradesco, Itaú e Unibanco.
Um estudo da consultoria Austin Asis mostra que o banco dobrou seus ativos entre dezembro de 1998 e dezembro do ano passado de R$ 246 milhões para R$ 538 milhões mas a taxa de inadimplência aumentou de 13,3% para 15,5%.
O Banestado, um banco com R$ 6,3 milhões de ativos e patrimônio líquido de R$ 433 milhões, cujo valor de venda está estimado em R$ 1,5 bilhão, deve ser alvo de uma razoável disputa pelos grandes do mercado. Com a reestruturação, o banco reduziu fortemente seu índice de inadimplência, que passou de 31,5% em dezembro de 1998 para 12,2% em dezembro do ano passado.
Além da disputa no leilão, os analistas prevêem também uma batalha judicial antes da privatização. A venda do Banestado deve ser enrolada como a do Banespa, diz o analista de bancos da Corretora Sudameris, Gilberto de Souza, que não acredita na privatização da instituição ainda este ano. O leilão está previsto para setembro.
Além do Banestado, Souza prevê uma disputa entre os grandes para comprar o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), que está em processo de federalização e será oferecido ao mercado no próximo ano. Entre dezembro de 1998 e de 1999, o Besc teve seu volume de ativos reduzido de R$ 2,5 bilhões para R$ 1,6 bilhão, com aumento da taxa de inadimplência, passando de 18,5% para 27,1% no mesmo período.
Embora alguns bancos tenham uma carteira razoável de clientes e boa presença nos mercados em que atuam, os bancos estatais são considerados pelos analistas menos atraentes do que seus similares em tamanho privados. São institutições menos preparadas em termos de tecnologia e qualificação de pessoal, diz o diretor de bancos da KPMG, Paulo Cunha.
O analista da área de consumo e bancos do Banco Pactual, Gustavo Hungria, acha que os outros bancos estaduais ou federalizados não devem atrair o interesse das institutições estrangeiras. Para um banco nacional interessa comprar um banco pequeno e ampliar mercado, mas para um estrangeiro a estratégia talvez seja outra, afirma Hungria.
O único banco que realmente faria diferença para os estrangeiros é o Banespa, que colocaria qualquer um deles no terceiro lugar no ranking. Entre os nove bancos que disputam a instituição, o único que não mudaria sua posição, se comprasse o banco, é o Bradesco, que já tem a liderança entre os bancos privados.
O Itaú, que ocupa o segundo lugar, por sua vez, passaria para a liderança, e o Unibanco, atualmente em terceiro, também subiria no ranking, passando para o segundo lugar.


