São Paulo As projeções do mercado financeiro para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano estão sendo mantidas apesar da surpreendente interrupção promovida pelo Banco Central na trajetória de sete meses consecutivos de corte na taxa de juros e o tom conservador da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Na avaliação dos analistas, o cenário tende a ser mantido porque o que mudou do ponto de vista da política monetária foi a trajetória da curva de juros para 2004 e não o porcentual a ser cortado da Selic, de 3 a 4 pontos porcentuais, dos atuais 16,5% ao ano para algo entre 12,5% e 13,5%.
No Banco Santander, por exemplo, segundo informa a economista Caroline Silveira, está mantida a previsão de uma expansão de 3,8% do PIB para este ano. Esta taxa de crescimento, prevê Caroline, será puxada pela indústria. ''Mesmo com a taxa de juros caindo mais lentamente, não haverá grandes perdas para o setor porque o processo detonador da recuperação industrial já foi dado.''
A economista Ana Paula Higa afirma que no Banco Santos também está mantida a previsão de crescimento de 4,2% do PIB este ano. ''O nosso cenário, em termos gerais, não foi alterado'', diz. Ela aponta a indústria e a agropecuária, em especial os setores exportadores, como os responsáveis pelo crescimento previsto. ''Só achamos que a queda da Selic vai ser mais para frente e não no primeiro trimestre'', afirma Ana Paula.
Para o economista-chefe do Banco BNL do Brasil, Everton Gonçalves, a produção industrial de dezembro que o IBGE divulgará na sexta-feira é que vai dar a idéia da velocidade da retomada do crescimento. ''Se seguir a tendência, o PIB deverá fechar o ano de 2004 com uma expansão de 4%'', diz.

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