Londres - O otimismo ''cauteloso'' em relação ao Brasil, que vinha dominando os analistas internacionais desde as primeiras semanas deste ano, está sendo substituído por uma aposta mais ambiciosa. Bancos e fundos de investimentos estrangeiros, num movimento quase que consensual, prevêem que a taxa de risco Brasil continuará sua trajetória de queda nas próximas semanas. O real, segundo eles, ainda poderá ganhar terreno diante do dólar. A expectativa do início da queda dos juros nos próximos meses abre espaço também para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos meses deste ano.
Alicerçando esse sentimento favorável ao País, está a crescente confiança de que o governo Lula será capaz de implementar a sua agenda de reformas. Além disso, segundo analistas consultados pela Agência Estado, os fortes fluxos de investimentos na dívida de mercados emergentes estão longe de dar sinais de exaustão. Até mesmo a compra do Sudameris pelo ABN Amro sinalizou que os grupos estrangeiros, que adotaram uma postura extremamente cautelosa no ano passado, estão retomando os seus planos de investimentos.
Para Jerome Booth, diretor de pesquisa do fundo de investimento britânico Ashmore Investment Management - que possui uma carteira de US$ 2,4 bilhões dedicada a mercados emergentes -, o risco Brasil deverá declinar para perto dos 700 pontos nas próximas semanas. Outras instituições financeiras, como os bancos alemães Deutsche Bank e Dresdner Kleinwort Wasserstein, também acreditam que a taxa de risco deverá declinar para a faixa dos 700 pontos.
''O quadro é extremamente favorável ao Brasil'', disse Booth. '' Com o progresso nas reformas esse quadro ainda vai se tornar mais claro.'' O analista acredita que a valorização do real e uma queda nas expectativas inflacionárias irá permitir que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza os juros básicos nos próximos meses. ''Isso, aliado ao avanço nas reformas, continuará pressionado o risco país para baixo.''
Não é apenas o desempenho dos ativos externos brasileiros que está alimentando o otimismo dos analistas. O banco WestLB prevê que o PIB do País crescerá 2,7% neste ano, bem acima da previsão oficial de 2%. O banco avalia que a recuperação da atividade econômica no Brasil continue num ritmo lento. ''Mas continuamos otimistas com as chances da economia para uma recuperação mais forte mais no final deste ano'', informou o WestLB em nota para investidores.

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