Londres Analistas de fundos e bancos de investimentos europeus discordam da decisão do JP Morgan de recomendar a seus clientes que reduzam a posição de títulos da dívida brasileira. Segundo eles, o comportamento dos preços dos títulos do País será determinado principalmente pelos próximos passos do futuro governo, inclusive a escolha da nova equipe econômica. Como a expectativa geral para esses eventos é positiva, os papéis da dívida têm condições de valorização no curto prazo.
O chefe para mercados emergentes do fundo de investimento alemão Commerz Asset Management, Harald Eggerstedt, decidiu, na terça-feira, manter a exposição ao Brasil em ''slightly overweight'' (levemente acima da média). ''É bem verdade que as pessoas estão ficando um pouco nervosas com a demora na definição da nova equipe econômica e as posições ainda muito vagas sobre temas econômicos importantes, como a inflação'', disse Eggerstedt. ''Mas nos mantemos confiantes que com a divulgação dos nomes e a continuidade dos sinais de ortodoxia manifestados até o momento pelo PT, os papéis brasileiros poderão ganhar mais algum terreno até o final do ano.''
Segundo ele, ainda é cedo para avaliar as perspectivas para os títulos soberanos nos primeiros meses de 2003. ''Será um ano repleto de desafios para a economia brasileira, com a inflação em alta, restrição orçamentária e as incertezas com o cenário mundial'', afirmou. ''Mas, novamente, as decisões do novo governo vão calibrar o grau de confiança dos investidores.''
O chefe de pesquisa do fundo de investimentos britânico Ashmore Investment Management, Jerome Booth, disse que mantém o seu otimismo em relação às perspectivas de recuperação dos preços da dívida brasileira. ''Até o final de outubro, o mercado teve uma visão míope da conjuntura do País, exagerando no negativo, mas desde então começou a se ajustar mais aos fatores reais'', disse Booth. ''Acredito que após o anúncio da nova equipe econômica e o maior detalhamento da postura do novo governo para a economia, os C-Bonds poderão ganhar cerca de 5% e seguir numa trajetória de recuperação sustentável.''

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