Analistas esperam corte de mais 1,5 na Selic
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quinta-feira, 14 de agosto de 2003
Francisco Carlos de Assis<br> Agência Estado 
São Paulo O Comitê de Política Monetária (Copom) poderá promover uma redução de mais 1,5 ponto porcentual na taxa básica de juros na sua reunião ordinária de agosto, que será realizada nos próximos dias 19 e 20. A redução, segundo os analistas ouvidos pela Agência Estado, se faz necessária para iniciar o processo de desarme das elevadas taxas de juros reais no Brasil, uma das mais altas no mundo.
Os analistas afirmam também não acreditar que, com a redução do compulsório sobre depósitos à vista na semana passada, de 60% para 45%, o Banco Central possa se sentir tentado a reduzir o ritmo de queda da taxa de juros de maneira ousada.
No Departamento Econômico do Lloyds TSB, segundo o economista Eduardo Berger, a expectativa é de que Copom promova na sua reunião de agosto mais um corte de 1,5 ponto porcentual na taxa de juros, atualmente em 24,5% ao ano. Berger se diz cético com relação à eficácia do compulsório como alternativa de redução do aperto monetário. ''O compulsório era uma distorção e sua redução contribui para o esforço de se estabelecer as condições para a retomada do crescimento. Mas não é a parte vital e, por isso, não inibe o tamanho do corte da taxa de juros'', diz Berger.
Para o economista, há ainda dúvidas com relação à canalização ou não dos recursos disponibilizados no mercado pela redução do compulsório para o crédito porque a taxa de juro real está ainda muito elevada. De acordo com Berger, se a taxa de juros fechar o ano em 18,5%, segundo estimam alguns analistas, tendo em vista uma taxa de inflação projetada para o fim do ano de 7%, a taxa real de juros continuará ainda muito elevada, atraindo o interesse dos investidores para os títulos públicos corrigidos pela Selic. Por isso, diz, para se fazer uma revolução no crédito, é preciso que se trabalhe o juro real por meio da redução da taxa nominal.
Na opinião do economista Guilherme Britzki, da BC Informações Econômicas (BCIE), a redução do compulsório, do ponto de vista de impacto na economia, está sendo melhor do que uma redução na taxa de juros. Isso porque, segundo ele, os efeitos na economia da liberação dos recursos antes parados compulsoriamente no BC são imediatos. ''A taxa de juros já caiu em duas reuniões do Copom, mas é agora que está se verificando o movimento de grandes bancos cortando juros'', diz Britzki.
Para ele, agora o governo Lula mostrou o que realmente quer fazer. ''A redução do compulsório foi apenas o pontapé inicial que vai envolver não só os R$ 8,5 bilhões que a redução do compulsório jogou no mercado, mas também os demais R$ 50 bilhões de liquidez no sistema financeiro'', diz o economista. Britzki espera corte de 1,5 ponto porcentual na taxa de juros na semana que vem.


