Analistas dizem que dólar barato alivia inflação
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quarta-feira, 16 de abril de 2003
Agência Estado 
São Paulo - A recente apreciação cambial e seus impactos negativos no ajuste das contas externas têm sido alvo de inúmeros comentários, projeções e análises. Pouco tem se falado, no entanto, sobre os benefícios para a economia doméstica de um câmbio mais apreciado. O mais visível deles, dizem os analistas, está na descompressão sobre a inflação.
''Essa queda do dólar já mostra por exemplo reflexos nos IPAs'', diz o economista-chefe do Banco ING, Marcelo Salomon, enfatizando que a apreciação cambial compensa, pelo menos em parte, a expectativa de alta nos preços das commodities na esteira da recuperação desses preços no mercado internacional. Sobre a inflação ao consumidor, embora ainda existam algumas empresas recompondo margens, os analistas ressaltam que os segmentos que utilizam insumos dolarizados não terão mais uma necessidade tão premente de ajustarem seus preços finais.
''Ao contrário, quem conseguiu segurar esse repasse tem hoje uma pressão muito menor para fazê-lo'', avalia o diretor da área externa de um grande banco estrangeiro. Um eventual ajuste para baixo no preço dos combustíveis também é citado como fator positivo, ainda que a política de reajustes da Petrobras e a composição de fundos para a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) não estejam claramente definidas.
Para alguns economistas, esse impacto positivo teve maior influência na apreciação que levou o dólar de R$ 4,00 para os R$ 3,20. Ou seja, a influência já está dada e essa última etapa em direção aos R$ 3,00 não teria maiores impactos positivos. ''Dificilmente alguém muda sua política de preços por conta de uma mudança de nível de 20 centavos no dólar. Isso vira margem'', acredita o economista-chefe do JP Morgan, Luís Fernando Lopes.
Juros - Analistas lembram ainda que o câmbio mais apreciado também funciona como um ''encurtador'' para uma política monetária menos apertada, antecipando a velocidade da recuperação econômica no País. ''Se com o câmbio a R$ 3,50 há um mês a expectativa era de uma queda dos juros somente em agosto ou setembro, agora o mercado já trabalha com a possibilidade concreta de uma queda ainda no primeiro semestre'', exemplifica o economista chefe do Unibanco, Alexandre Schwartsman.


