Analistas descartam danos da crise russa à economia doméstica
Os economistas do governo avaliam que a moratória por 90 dias decretada pelo governo russo e a nova queda nas bolsas de valores do sudeste asiático podem até elevar a temperatura do mercado doméstico, mas não produzirão danos à economia. Estes economistas fazem uma distinção entre o que está ocorrendo na Rússia e a crise que abate o sudeste asiático há um ano. A derrocada da economia russa já era esperada, segundo eles, desde julho, quando o anúncio do pacote de medidas do Fundo Monetário Internacional (FMI) não gerou confiança de que o governo russo estivesse em condições de implementar medidas tão drásticas.
A situação se deteriorou com a concentração de vencimentos de títulos no curto prazo e, agora, a moratória é a alternativa que restou para dar um tempo e se iniciar uma nova tentativa de reorganizar a economia russa. Esta situação de moratória, segundo eles, lembra muito o Brasil dos anos 80, mas tem uma distância enorme com o Brasil de agora. Os analistas do governo ponderam que o País atualmente dispõe de um amplo colchão de reservas internacionais e, ao contrário da Rússia, tem instituições sólidas.
O agravamento da situação russa preocupa, mas muito mais pelos desdobramentos geopolíticos para a região européia. Enquanto isso, os desdobramentos destas crises internamente ficam por conta da elevação do nervosismo do mercado. A estratégia continua a mesma: baixar o nível de tensão do mercado doméstico com a garantia de que o governo está atento para responder às especulações e pronto a agir, garantem estes economistas. A posição confortável das reservas internacionais, cerca de US$ 70 bilhões, é o ponto de sustentação de que o Brasil tem condições de enfrentar ataques especulativos contra o real. Ao mesmo tempo, o governo avança na definição de medidas que sinalizarão ao mercado uma trajetória de redução do déficit público no curto prazo. Além das medidas de aumento das exportações, reduzindo, também, o grau de incertezas em torno do balanço de pagamentos do país.Sergey Chirikov/France PressePacote radicalO primeiro-ministro russo Kiriyenko: medidas não surpreendemAgência Estado





