São Paulo - O Brasil tem uma rápida evolução do deficit de transações correntes, que atingiu US$ 24,302 bilhões em 2009, e, segundo estimativas do Banco Central, deve subir para US$ 49 bilhões neste ano e atingir US$ 60 bilhões em 2011. Isso significa um aumento do saldo negativo correspondente a 1,54% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 para 2,78% no próximo ano. O aumento reflete a forte expansão econômica do País, baseada num baixo nível de investimento doméstico. Mas os economistas ouvidos pela Agência Estado afirmaram que o crescimento do deficit não preocupa, pois são boas as perspectivas de financiamento nos próximos quatro anos.
O estrategista-chefe do banco alemão WestLB, Roberto Padovani, destaca que não preocupa o incremento do deficit de transações correntes devido a uma conjunção de fatores domésticos e externos. Ele lembrou que o Brasil possui grau de investimento e já conquistou uma boa reputação de gestão macroeconômica e estabilidade política que estimula o ingresso de várias modalidades recursos, como os investimentos estrangeiros diretos (IED), empréstimos e financiamentos a empresas por emissão de bônus, ingresso de capitais de portfólio e aplicações em ações na bolsa.
Das projeções para o deficit de transações correntes para este ano e 2011 realizadas pelo BC, boa parte deve ser coberta pelos investimentos estrangeiros diretos (IED). Para o Banco Central, o deficit em conta corrente deve chegar a US$ 49 bilhões em 2010, mas o montante de IED deve chegar a US$ 30 bilhões, o equivalente a 61,22% do deficit. Para 2011, a proporção deve subir para US$ 45 bilhões, o que representará três quartos do passivo internacional de US$ 60 bilhões.
''O mundo apresenta uma dinâmica de fraca recuperação, o que faz com que o crescimento do Brasil se destaque em relação à média global'', ressaltou o economista-sênior do BES Investimento, Flávio Serrano. O Banco Central estima que a economia crescerá á 7,3% neste ano e a Pesquisa Focus, feita pelo Banco Central entre cerca de 100 instituições financeiras , mostra que a mediana das projeções para o PIB em 2011 é de 4,5%. Segundo Padovani, outro fator que estimula o forte ingresso de capitais estrangeiros são os preços de ações e a alta remuneração de aplicações em renda fixa. O juro real no Brasil, calculado pelo critério ex-ante, está hoje em 5,80%, patamar distante da taxa negativa registrada nos EUA, zona do Euro, Japão e Reino Unido.
O economista da Tendências Felipe Salto destaca que o cenário favorável à continuidade de vigoroso ingresso de capitais nos próximos quatro anos está relacionado com a confiança dos investidores de que o próximo presidente da República manterá as linhas mestras da condução da economia: política fiscal responsável, sistema de metas de inflação e câmbio flutuante.
Para Salto, contudo, é preciso elevar os investimentos no País para conter a rápida velocidade do aumento do deficit de transações correntes. Ele destaca que a forma mais adequada para incrementar a Formação Bruta de Capital Fixo é com um ajuste fiscal mais firme.

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