Brasília - O reajuste dos combustíveis anunciado pela Petrobras mal chegou às bombas dos postos e os analistas de mercado já tentam mensurar o custo para o País da estratégia adotada pelo governo diante da disparada do preço do petróleo no exterior. O aumento bem abaixo do necessário para acompanhar a evolução do produto lá fora criou preocupações não apenas com o impacto na inflação de 2005, mas também com o balanço da Petrobras e o fato de o Brasil estar em descompasso com o resto do mundo.
Isso porque, enquanto o petróleo acumula alta de 64% este ano e o preço da gasolina no mercado do Golfo do México, por exemplo, subiu 55%, no Brasil, o reajuste até agora soma apenas 16,5%. Esse valor desconsidera a incidência de impostos e contribuições. Com isso, a avaliação é de que o Brasil deverá se equiparar aos outros mercados com um reajuste bem mais expressivo após as eleições.
Para o diretor de Estudos Macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Paulo Levy, o realinhamento do valor dos combustíveis é inevitável diante ''da sinalização de uma escassez relativa do produto''. Segundo ele, quando o resto do mundo se ajusta, absorvendo a mudança de preço, o crescimento mundial diminui. Se o Brasil não faz o mesmo, ele cresce mais hoje e terá de se alinhar mais à frente, quando os outros países estarão retomando crescimento mais forte. ''É importante evitar esse descompasso com o resto do mundo. Isso vale tanto para hoje quanto valia na década de 70'', destacou Levy, referindo-se ao período em que a economia mundial sofreu dois grandes choques do petróleo.

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