Analistas consideram medidas paliativas
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quinta-feira, 13 de junho de 2002
Agência Folha 
São Paulo O pacote anunciado ontem pelo governo pode acalmar o mercado nos próximos dias, mas não é garantia de estabilidade até o final do ano. As turbulências desta semana também tornam menores as chances de o Banco Central reduzir os juros na próxima quarta-feira, quando termina a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Essas são as principais avaliações de economistas ouvidos ontem pela Agência Folha.
Com um volume de dólares maior para intervir, o BC mostra que tem cacife para enfrentar momentos de pressão. Ainda assim, avaliam os analistas, os US$ 10 bilhões sacados no FMI não serão suficientes caso o nervosismo persista ou aumente demais.
O BC tem poucos instrumentos para bater o mercado para valer. Não pode tentar derrubar o dólar a qualquer custo. Num momento de nervosismo excessivo, os US$ 10 bilhões podem simplesmente evaporar, avalia Bernardo Macedo, economista da LCA.
Parte do pacote, diz o economista, tem efeitos indiretos. O governo quer mostrar que trabalha para que as condições de solvência, ou seja, de pagamento da dívida pública, sejam preservadas.
Para o consultor Fábio Colombo, as medidas anunciadas ontem pelo governo são um paliativo. Elas aguentarão até o mercado perceber quem vai ganhar as eleições, declara. As medidas são só um analgésico para o momento atual, acrescenta.
Na avaliação de Colombo, se a vitória acenar para o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, vai haver fuga de capitais e o BC terá de vender dólar para baixar a taxa de câmbio. Aí caminharemos para uma situação complicada que pode se deteriorar em médio prazo, como ocorreu com a Argentina, afirma.
O recuo do dólar, cuja cotação caiu 3,04% ontem, não deve facilitar a condução da política monetária pelos técnicos do BC. Até a semana passada, a maioria dos analistas previa uma redução na taxa básica de juros, que está hoje em 18,5%. Mas o cenário mudou. O dólar mudou de patamar. Dificilmente o BC poderá baixar os juros, diz Macedo.


