Brasília - A escalada recente do dólar levou analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) a aumentar mais uma vez os prognósticos para a inflação, um dos pontos mais nevrálgicos para o governo atualmente. De acordo com a pesquisa semanal Focus, a preocupação do repasse do câmbio para a inflação começa a ser embutida nas previsões.
No caso do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da administração federal, a expectativa é de uma taxa de 5,86% para o fim de 2013, contra 5,83% da semana passada. Já para os Índices Gerais de Preço (IGPs), que são mais sensíveis à cotação da moeda dos Estados Unidos, o impacto nas estimativas foi ainda maior, apesar de os indicadores estarem num patamar mais baixo. A projeção do mercado é de 4,72% para o Disponibilidade Interna (IGP-DI) e de 4,58% para o Mercado (IGP-M), que reajusta o aluguel.
No curto prazo, porém, as previsões dos analistas para a inflação melhoraram. Para o IPCA de junho, a expectativa agora é de uma taxa de 0,32% e de 0,25%. Segundo o economista-chefe para América Latina do Banco BNP Paribas, Marcelo Carvalho, a redução das projeções para junho e julho deve estar relacionada à diminuição das tarifas de ônibus em algumas cidades do Brasil, como consequências das manifestações realizadas por todo o País, e também às informações diárias de coletas de preço por institutos de pesquisas, revelando um alívio nos valores, principalmente em alimentação.
Carvalho afirmou que essa diminuição das projeções para o curto prazo, apesar do aumento das apostas do mercado financeiro para a inflação do fim do ano, deixa claro que a alta do dólar começa a entrar na conta dos economistas para prever a subida dos preços. Conforme a pesquisa, a moeda dos EUA terminará 2013 cotada a R$ 2,13 e encerrará 2014 a R$ 2,20.

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