Os juros básicos da economia, a chamada taxa Selic, poderão cair já nos primeiros meses do ano. O cenário, traçado por economistas com passagens recentes pelo governo, leva em conta principalmente o esperado recuo da inflação no mês de janeiro, a melhoria dos indicadores econômicos locais e uma recuperação da economia norte-americana, além do desenlace da situação argentina. Acredita-se que a taxa poderá chegar a algo entre 15% e 16% até o último mês do ano. Hoje a taxa está em 19%.
‘‘Certamente há espaço para a redução da taxa Selic. Os últimos números da inflação estão mostrando até uma deflação, em termos de IPA (índice do atacado). O preço do petróleo está caindo e há uma conjuntura internacional melhor que a do ano passado. Deve haver uma reativação da economia americana já no segundo trimestre’’, analisou o ex-ministro Marcílio Marques Moreira, hoje consultor da Merril Lynch no Brasil e presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).
O avanço nos cenários internacional e doméstico, segundo Marcílio, darão ao BC condições para rever a taxa de juros para 15% ou 16% até o fim do ano. Mas quando aconteceria a primeira revisão? ‘‘Vai depender um pouco dos números do começo do ano. Mas talvez na segunda reunião do ano possa haver alguma redução. Talvez até na primeira haja alguma sinalização’’, disse o ex-ministro. O porcentual de 19% da Selic mantém-se inalterado desde julho. Depois de chegar a 15,25% em janeiro do ano passado, a taxa subiu progressivamente até o patamar atual.
Formulador dos Planos Cruzado e Real, o economista Edmar Bacha, presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) acredita que a queda dos juros poderá se dar no curto prazo. Neste sentido, aponta que a perspectiva de inflação negativa em janeiro, como está sendo cogitado pelo mercado, deve permitir ao BC reduzir a taxa referencial de financiamento da dívida pública, a Selic. De qualquer forma, Bacha acredita que a questão ficará mais clara com a definição da situação argentina. Em sua avaliação, as contas externas do País ‘‘estão bem’’.

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