Analistas apostam em mais 0,5 ponto na Selic
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segunda-feira, 14 de março de 2005
Gustavo Freire<br>Agência Estado 
Brasília - O Banco Central (BC) eleva a taxa de juros em 0,5 ponto porcentual e então interrompe o ciclo de aperto monetário iniciado em setembro. Essa é a aposta das mais de 100 instituições financeiras que participam da pesquisa semanal Focus, realizada pelo BC. O Comitê de Política Monetária (Copom) reúne-se hoje e amanhã para decidir a nova taxa de juros básica da economia. Se o mercado financeiro estiver certo, a taxa subirá dos atuais 18,75% para 19,25% ao ano, o nível mais alto desde setembro de 2003.
Na estimativa dos analistas, a taxa de juros permanecerá estável em 19,25% até maio, quando então cairá de 19,25% para 19% ao ano. Corte na taxa de juros é algo que não ocorre desde maio do ano passado. Os analistas acham que os juros ainda ficarão estáveis em julho e recuarão novamente em agosto para 18,75%. A partir de setembro, as quedas seriam aceleradas, segundo os participantes da pesquisa, e a taxa de juros recuaria gradualmente até atingir 17% no fim do ano.
O otimismo em relação ao rumo da política de juros não impediu que os participantes da pesquisa do BC elevassem pela segunda vez consecutiva suas projeções de inflação para este ano. De acordo com os números do levantamento divulgado ontem, as previsões de IPCA para este ano subiram dos 5,72% da pesquisa divulgada na semana passada para 5,77%. São estimativas cada vez mais distantes da meta do governo, que é uma inflação de 5,1% para este ano.
A alta das expectativas de inflação, no entanto, já era aguardada pelo mercado financeiro. Na avaliação de alguns analistas, as projeções de IPCA para este ano foram afetadas pelo aumento das tarifas de ônibus no município de São Paulo. Apesar disso, as estimativas de reajuste dos preços administrados neste ano não foram alteradas na pesquisa do BC e prosseguiram em 7%.
As perspectivas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano contidas na pesquisa do BC não foram alteradas e permaneceram em 3,69%. Apesar dessa estabilidade, as previsões de crescimento da produção industrial neste ano aumentaram de 4,63% para 4,70%. Para 2006, as expectativas de crescimento do PIB recuaram de 3,80% para 3,70%. Esta foi a segunda queda consecutiva das estimativas de expansão econômica no próximo ano, que haviam alcançado 4% em levantamento feito há quatro semanas. Apesar da redução, as previsões de aumento da produção industrial no próximo ano subiram de 4,63% para 4,70%.


