O governo federal articula de todas as formas a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados na próxima semana. Se não conseguir, a votação deve ficar para 2018, quando será mais difícil convencer os parlamentares a apoiar a proposta devido à proximidade das eleições de outubro. A mudança é tida pelo governo como fundamental para as contas públicas e para manter a confiança do mercado financeiro. Mas se ela não for aprovada, o que irá acontecer com a economia e o mercado? A reportagem fez essa pergunta a três economistas paranaenses.
Sócio consultor da Valuup Consultoria de Curitiba, Lucas Dezordi afirma que, ao não avançar na reforma da Previdência, o País sinaliza que não honrará seu compromissos futuros e, por isso, afugentará investimentos, o que vai interferir no câmbio. "Já há projeções que cravam o dólar em R$ 3,35 em dezembro de 2018. O valor da moeda vai estourar no caso de não se fazer a reforma e as contas públicas continuarem instáveis. Será um cenário bem ruim", alega. A moeda norte-americana fechou a R$ 3,24 nesta segunda-feira.
Para Dezordi o País precisa "avançar de uma vez" na reforma para conferir sustentabilidade ao próximo ciclo de crescimento econômico. "É uma mudança estrutural condizente com o fato de que o País mudou e sua população também, mas há de se admitir que a encruzilhada do Brasil tem nome: é reforma da Previdência", alerta.
Na visão do gerente de Economia, Desenvolvimento e Fomento da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná), Marcelo Percicotti, os juros estão "intrinsecamente ligados" ao risco que o País demonstra a cada novo recuo na discussão das reformas estruturais, como a da Previdência. "Desequilíbrios nas contas públicas atrai juros altos, já que aumenta o risco do País e há vários fundos de investimentos que deixam de investir conforme o rating (nota risco de um país)", ressalta.
Ele também chama atenção para o fato de a sociedade brasileira estar envelhecendo e o impacto que isso acarreta na Previdência. "Há uma questão etária da população brasileira que precisa ser trabalhada o quanto antes, porque fatalmente impactará sobre o deficit público lá na frente, uma vez que a expectativa de vida em 2050 será muito maior e com uma taxa de fecundidade em queda", destaca. Ou seja, nascerá menos gente para ajudar a pagar a aposentadoria da população idosa que irá crescer bastante.
Em Londrina, por exemplo, em 2010 a participação dos idosos no conjunto da população era de 11,5% no caso dos homens e 13,7% no das mulheres, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). Em 2050, serão 26% entre os homens e 32% entre as mulheres.

OPINIÃO DIFERENTE
Ao contrário dos colegas, o economista e supervisor técnico do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socieconômicos), do Paraná, Sandro Silva diz que a reforma da Previdência não é fundamental. Para ele, os efeitos sociais da atual proposta que será discutida na Câmara segue repleta de distorções e com um custo social elevado no médio e longo prazos. "Observamos a mudança no perfil demográfico. Mas do jeito que está, a reforma acaba com a aposentadoria por tempo de serviço, o que vai gerar um problema lá na frente com várias profissões nas quais a idade é determinante como a de eletricista ou de trabalhadores da construção civil", afirma ressaltando que esses ofícios não aceitam mão de obra mais velha.
Silva acredita haver outros caminhos, "como a revisão dos juros e da lógica do sistema financeiro", para resolver a questão fiscal brasileira.

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