Analistas alertam para desaceleração
São Paulo - Apesar dos resultados expressivos da economia brasileira no primeiro semestre, analistas alertam para a possibilidade de desaceleração nos próximos trimestres. O ano de 2003 foi particularmente fraco para a economia brasileira. O Produto Interno Bruto (PIB) - caiu 0,2% e registrou o pior resultado desde 1992.
A base de comparação fraca tende a dar ainda mais ênfase à recuperação da atividade econômica. Mas não é só. Segundo economistas, uma desaceleração seria necessária nos próximos meses para não gerar ainda mais pressões inflacionárias. ''Ninguém estima que o PIB continue a crescer cerca de 1,5% em relação ao mês anterior, pois esta taxa anualizada representaria um crescimento de 6%, o que é inviável agora'', afirma o estrategista do BNP Paribas, Alexandre Lintz.
Na última ata, o Comitê de Política Monetária (Copom) voltou a afirmar que pode elevar os juros para conter as pressões inflacionárias. A taxa se mantém inalterada em 16% desde abril.
Com a recuperação consistente da economia, o País precisaria realizar grandes investimentos para manter os atuais níveis de crescimento. Neste ano, as exportações devem crescer cerca de 30%, o que, sem novos investimentos, levaria o País a um ''apagão logístico''. Na indústria, a maioria dos setores já atua no limite de sua capacidade instalada - alguns superam os 85% - e a recuperação deixou de ser concentrada apenas no comércio exterior. ''A taxa de investimento atual ainda deixa dúvidas quanto às possibilidades de crescimento para 2005 e 2006'', afirma o analista macroeconômico da Máxima Asset Management, Bernardo Mota.
Para atrair investimentos, no entanto, o Brasil ainda precisa fixar regras claras, segundo analistas. ''O marco regulatório do País ainda é fraco, não se tem garantias sobre o que irá acontecer daqui a dois anos, que dirá daqui a 30 anos'', afirma o economista-chefe da consultoria Global Station, Marcelo de Ávila.
O PIB é a soma das riquezas produzidas por um país. É formado pela indústria, agropecuária e serviços e mostra o comportamento da economia. No ano passado, por exemplo, quando o Brasil atravessou uma recessão, o PIB encolheu 0,2%. O PIB também pode ser analisado a partir do consumo. Nesse caso, o PIB é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações. As importações também entram na conta. Quanto mais o Brasil importar bens e serviços, menor será o PIB. (AF)





