Analistas advertem sobre alta da Selic
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quinta-feira, 10 de abril de 2008
Jacqueline Farid<br>Agência Estado 
Rio - Uma eventual alta na taxa básica de juros (Selic) poderá ter efeitos negativos sobre os investimentos e o crédito. Analistas alertam, também, que a realidade econômica do Brasil, hoje, é muito diferente do ciclo anterior de aumento dos juros, de 2004. ''Os que pretendem investir deverão, agora, esperar um sinal de que o ciclo (de alta) vai ser curto'', disse o ex-diretor de política monetária do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas.
Para o consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Julio Sérgio Gomes de Almeida, uma possível alta da Selic na próxima semana terá efeito sobretudo sobre as expectativas, com impacto sobre os investimentos e o crédito.
O pico da Selic no governo Lula foi em março de 2003, quando chegou a 26,5%. A partir de julho daquele ano houve o início de um ciclo de queda, interrompido em maio de 2004 em 16%. Um novo ciclo de alta foi inaugurado em maio de 2004 e só suspenso em junho de 2005, quando a Selic chegou a 19,75%, mantendo-se nesse patamar até setembro de 2005, quando teve início trajetória de queda que acabou em dezembro do ano passado. A partir daí, a taxa tem se mantido estável, em 11,25%.
Para Thadeu de Freitas, o novo ciclo de alta, se iniciado, precisa ser curto, não indo além de junho ou julho, para não causar uma reversão de expectativas que prejudique a atual expansão dos investimentos. ''O ciclo que o BC vai ter que administrar não pode ser muito longo senão o dólar vai despencar mais ainda e tornar a economia mais vulnerável'', afirmou. O economista explica que o cenário atual é totalmente diferente de 2004, já que conta com dois novos fatores fundamentais: forte aumento nos investimentos e queda dos juros nos Estados Unidos.


