Analistas acreditam que Dilma manterá tripé na economia
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domingo, 28 de novembro de 2010
Ricardo Leopoldo<BR>Agência Estado 
São Paulo - Apesar do nervosismo às vésperas do anúncio da equipe econômica do governo de Dilma Rousseff, economistas acreditam que a tensão deve baixar nos próximos meses, pois avaliam que o novo governo manterá o tripé macroeconômico, com metas de inflação, política fiscal austera e taxa de câmbio flutuante. O mercado está sendo influenciado por rumores, incerteza alta em relação aos nomes do próximo governo, adicionando ruído de curto prazo, disse o economista-sênior do JP Morgan, Júlio Callegari. Não há nenhuma expectativa de mudança da política econômica, o que está sendo manifestado de forma clara pela presidente eleita.
Para o economista-chefe da LCA, Braulio Borges, é preciso observar com reservas o nervosismo intenso do mercado porque, investidores internacionais adoram volatilidade para ganhar dinheiro. Segundo ele, a transição de governos é um dos momentos mais visados pelos especuladores para multiplicar ruídos e boatos, o que viabiliza movimentos abruptos de aplicações e gera oportunidades para obter alta rentabilidade. Não há nada de objetivo que mostre que a presidente Dilma vai fazer mudanças substanciais na condução da economia, comentou Borges. Ao contrário: ela foi eleita porque prometeu, em campanha, que vai manter as diretrizes essenciais do governo Lula relativas à meta de inflação, controle fiscal e câmbio flutuante.
De acordo com o chefe do departamento de pesquisas para mercados emergentes das Américas do Nomura Securities, Tony Volpon, o novo governo precisará de alguns meses para convencer o mercado de que não vai alterar a política econômica. Contudo, ele aponta que como a inflação está apresentando resultados elevados, em boa parte causados por uma alta excessiva de commodities, com destaque para alimentos, Dilma precisará escolher uma das três seguintes opções: 1) alta de juros, 2) aumento do esforço fiscal ou 3) aceitar uma inflação mais alta.
Como Volpon não acredita que a administração Dilma vai permitir que a inflação supere a meta, nem que a Selic deverá subir no próximo ano, pois isso agravaria a tendência de valorização do câmbio, ele espera que a futura equipe econômica proponha um aperto fiscal significativo no ano que vem.


