Analistas a favor do IGP-M
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sexta-feira, 31 de janeiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo - O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) está longe de ser o indicador ideal para a correção de contratos, principalmente aqueles que envolvem tarifas públicas, avaliam economistas do mercado financeiro. No entanto, isso não significa que eles aprovem uma eventual iniciativa do governo Luiz Inácio Lula da Silva para discutir a substituição desse indicador nos contratos atuais com as empresas concessionárias de serviços públicos.
''Qualquer tipo de discussão nesse sentido precisaria ser muito bem conduzida pelo governo para não se caracterizar ruptura de contrato'', diz o economista Luiz Afonso Fernandes Lima, do Banco Bilbao Vizcaya (BBV). ''O IGP-M não é o indexador mais adequado para os contratos porque sofre grande influência do câmbio. Mas rever contratos é algo muito maior do que ver apenas o índice de correção e, por isso, mexer no que está aí pode não ser nada bom'', afirma o economista-chefe do HSBC, Alexandre Bassoli. ''Talvez isso possa ser discutido para novos contratos'', complementa.
A economista da Tendências Consultoria, Marcela Prada, concorda que o IGP-M não é um bom índice para corrigir contratos porque ''não reflete bem os custos das empresas''. ''Em 2002, o IGP-M subiu muito por causa do câmbio e as projeções dos Índices de Preço ao Consumidor (IPCs) de 2003 são altas por causa dos reajustes pelo IGP-M dos preços administrados, principalmente energia elétrica e telecomunicações'', comenta.
Essa característica de ''contaminar'' os IPCs, especialmente por meio da correção de tarifas públicas, também prejudica a aceitação do IGP-M. ''Realmente, o índice não reflete o aumento dos custos das empresas e nem o aumento do poder aquisitivo da população. Tecnicamente, não interessa nem ao prestador do serviço e nem ao contratante'', analisa Lima, do BBV.


