O Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne hoje e quarta-feira, deve manter a atual taxa básica de juros (Selic) em 19% ao ano, segundo a maioria dos especialistas consultados pela Agência Folha. Segundo os economistas, há dois bons motivos para o Copom tomar essa decisão. O primeiro é situação da economia brasileira. A atividade econômica está em queda e juros maiores só intensificariam a desaceleração. O segundo: com uma queda dos juros, o BC pode colocar em jogo sua credibilidade.
Nas últimas semanas, indicadores apontaram sinais claros de desaceleração da atividade econômica. Um dos mais importantes foi o Produto Interno Bruto (PIB), o conjunto das riquezas do país, que apresentou uma queda de 0,99% no segundo trimestre do ano na comparação ao primeiro.
O desaquecimento também pode ser observado na boca do caixa. Uma pesquisa feita no mês passado pela Associação dos Executivos de Finanças (Anefac) mostra que 79% dos mil consumidores entrevistados adiaram os planos de compras. A incerteza sobre a economia e a queda na renda estão afastando os consumidores do comércio.
A tendência de retração, segundo os economistas, deve persistir no segundo semestre deste ano. Os bancos já começaram a revisar para baixo as estimativas de desempenho da economia, depois da divulgação do PIB.
Segundo levantamento diário realizado pelo Banco Central, divulgado ontem, a média das expectativas do mercado financeiro para o crescimento do PIB neste ano caiu de 2,50% para 2,20%. Para 2002, as projeções ficaram estáveis em 3%. Já as expectativas de inflação para 2001 medidas pelo IPCA (índice de preços adotado pelo governo) ficaram estáveis em 6,30%. Para 2002, subiram de 4,35% para 4,50%.
''O Copom terá um olho nos indicadores do PIB e outro na expectativa dos mercados'', avalia o economista Otaviano Canuto, da Unicamp. Canuto diz acreditar que essa será uma das decisões mais difíceis já tomadas pelo Copom. ''É provável que seja mantida a taxa atual e adotado um viés de baixa'', diz.
Ele chama a atenção para o fato de que será muito difícil baixar os juros agora. Por um motivo técnico: o BC não pode baixar os juros no cenário instável atual, com o país sujeito a enfrentar um choque com uma ruptura na Argentina. Se isso ocorrer, o BC teria que elevar os juros de novo, o que poderia comprometer a credibilidade da política monetária.
Os economistas-chefes do Citibank, Carlos Kawall, e do Lloyds, Odair Abate, que também prevêem a manutenção da taxa, concordam: adotar uma política errática minaria a credibilidade dos técnicos do BC.Leia mais sobre o mercado financeiro na página 3.

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