Analista vê nicho restrito aos smartphones modulares
"A habilidade de trocar partes (do smartphone) é uma ideia interessante, mas não é uma característica que a maioria dos consumidores precisa." A opinião é de Tuong H. Nguyen, analista de pesquisas do Gartner, empresa mundial de fornecimento de pesquisas e aconselhamento imparcial em tecnologia. Em entrevista por e-mail, ele deu sua opinião sobre os recentes lançamentos de smartphones modulares, tema de matéria da FOLHA na última quinta-feira. Neste mês, LG e Motorola apresentaram celulares inteligentes que podem adquirir mais desempenho, funcionalidades e estilos a partir da adição de módulos ao aparelho.
Nguyen se diz "cético" em relação ao impacto dos smartphones modulares no mercado de massa. "Há inclusive um impacto negativo em potencial", ele acrescenta, já que a modularidade torna o smartphone maior e mais pesado. "Os smartphones modulares nunca poderão ser tão finos ou leves quanto os não-modulares."
Para 2016, a expectativa do Gartner é que as vendas de celulares inteligentes desacelerem, crescendo apenas um dígito - 7% - em todo o mundo. Em 2015, o índice foi de 14,4%. Por isso, era "natural" que as fabricantes buscassem alguma estratégia para aumentar suas vendas, diz Nguyen. Mas, na opinião do analista do Gartner, os telefones modulares não terão um impacto tão grande assim nas vendas, até porque os "smartphones atuais são muito bons".
"O que isso significa é que as especificações em muitos dos smartphones atuais (especialmente os high-end) são tão boas que a maioria das pessoas não precisa de nada melhor. Esse é o motivo pelo quais as vendas de substituição (de aparelhos antigos) estão caindo. Para a maioria das pessoas, as especificações e funções de um smartphone de seis meses, um ano, ou até dois anos atrás, são tão similares aos de um smartphone novo que elas não sentem necessidade de substituí-los por um novo aparelho."
Na visão de Nguyen, o segmento do mercado que sempre estará em busca de novas e melhores especificações, ou que têm necessidades especializadas, como uma câmera, um som ou bateria melhores, é pequeno. "Esses são nichos de mercado, não um mercado de massa." Essas novidades deverão trazer mais opções e promover mais competição no mercado de smartphones, afirma o analista, mas, ao mesmo tempo, vão desacelerar ainda mais as vendas para substituição de aparelhos antigos, porque as pessoas vão preferir comprar um módulo do que um smartphone novo. O maior impacto, por outro lado, poderá vir dos pequenos desenvolvedores na adoção dos módulos dos smartphones - como os do Project Ara, da Google -, para diferentes aplicações, como na Internet das Coisas.





