Londrina - Apesar do nervosismo que se instalou entre os investidores desde o dia 29 de maio, quando por determinação do Banco Central (BC) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) os gestores de fundos tiveram de contabilizar os ativos das carteiras pelo valor de mercado, quem atua no mercado é categórico ao afirmar que não deve mexer no dinheiro, agora. ‘‘A perda que teria de ser realizada, com o ajuste, já houve’’, afirma Daniel Yabe Milanez, diretor de gestão de recursos do Investidor Global, de Londrina, ao acrescentar que, salvo rentabilidades negativas pontuais em um dia ou uma semana, os rendimentos dos fundos de investimentos tendem a retornar à normalidade.
Milanez diz que nada justifica o receio de perdas maiores do dinheiro aplicado nos fundos DI e de renda fixa. ‘‘O ajuste havia sido anunciado no ano passado. O errado foi o Banco Central antecipar a adoção da medida do final de setembro para o final de maio.’’ E avalia que o melhor é deixar o dinheiro no fundo até a recomposição do total que havia antes da medida e, só depois, tomar uma decisão sobre o que fazer. ‘‘O melhor é se informar sobre o melhor produto para aplicar o dinheiro’’, diz. Com este procedimento evita-se pagar Imposto de Renda de 20% sobre o ganho, ou seja, mantendo a aplicação original o capital é recomposto sem a incidência do IR. No entanto, se for para outro fundo, haverá incidência do tributo sobre a recomposição, que é considerada rendimento. E aproveita para recomendar a aplicação em CPR, que tem o aval do Banco do Brasil, com juros pré-fixados anuais entre 19% e 20%. ‘‘É o melhor produto que há no Brasil, no momento’’, assegura.
Didático, Milanez explica que ajuste nos fundos ocorreu porque os papéis foram valorizados acima do índice do mercado. Melhor, os 11% anuais de rendimentos anuais sinalizados, na verdade não deviam ser mais de 6%. Por isso, houve readequação que chegou a até 5%, ou seja, o investidor comprou por R$ 1,00 determinado produto que valia R$ 0,95. Esse dinheiro que perdeu foi destinado para recompor o patrimônio dos fundos.
O diretor do Investidor Global diz que o recomendável é não perder o horizonte do setor e evitar investir em imóveis, por ser um ativo de baixa liquidez, e de menor rendimento. Milanez diz que, enquanto as taxas de juros valorizaram 590% entre 1991 e 2000, em Londrina, a valorização média de apartamentos foi de 76%, de casas, 100%, e de terrenos, 250%, no período. O mercado de dólares, por ser de alto risco, também deve ser evitado por quem deseja a segurança da renda fixa e em reais ‘‘Tem gente que ainda tem dólares que comprou a R$ 2,80, no ano passado, quando apostava em uma alta maior’’, afirma.

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