Arquivo FolhaLUCRO CERTOSoja que está sendo colhida hoje vale 27% a mais do que no ano passadoAnimado com o preço da soja, analista de mercado acredita ser essa a melhor hora de vender a produção. Para os produtores que já colheram, o melhor negócio é aproveitar os preços e evitar fazer estoques. ‘‘O produtor não pode esquecer que o melhor preço para ele é aquele que dá lucro. Os preços atuais em relação ao custo de produção são convidativos’’, diz o analista de mercado da empresa de consultoria Carraro Agribusiness, Walter Coutinho Júnior.
O preço da soja, no balcão das cooperativas, está 27% maior que no mesmo período do ano passado. Uma saca de soja em 96 estava em média R$ 12,00, esse preço agora está em torno de R$ 15,20. Segundo Coutinho, há nove anos a soja não apresentava preço tão bom. ‘‘Os níveis estão similiares aos de quando se falava na possibilidade de geada nas lavouras dos Estados Unidos - maior produtor de soja do mundo’’, afirma.
Apesar de uma aparente estabilidade no preço, garantida pela pressão de compra na Bolsa de Chicago, Coutinho acredita que para o agricultor é melhor não arriscar e vender já o que colheu. Outro conselho é observar os picos de mercado, ou seja, aqueles períodos em que o preço tem alguma variação positiva.
Para o analista de mercado da Cooperativa Central Regional Iguaçu (Cotriguaçu), de Cascavel, Fernando Muraro, ‘‘este é um momento único’’. Segundo ele, a média de alta do preço da soja no Brasil, em relação ao mesmo período do ano passado, é maior inclusive que a dos mercados internacionais, que está em torno de 16%. Ele destaca a importância da isenção de ICMS para a exportação do produto brasileiro, ‘‘que torna-se mais competitivo’’.
Muraro aposta no efeito multiplicador dessa situação. ‘‘O bom preço da soja vai gerar incremento de renda para os produtores. Consequentemente, pode haver algum aquecimento de comércio e até geração de empregos’’, acredita.
O otimismo demonstrado pelos analistas de mercado não é divido por alguns produtores de soja. Para eles, na ponta do lápis, a alta não é tão significativa. O presidente do Sindicato Rural de Rolândia, Moacir Canônico, explica que o preço da soja aumentou, mas o custo de produção também. ‘‘O custo com mão-de-obra praticamente dobrou, os adubos tiveram aumento de 30%, o óleo diesel, 18%. Além disso, diversos produtores aqui da região tiveram queda em produtividade de até 20% com as cultivares precoces, por causa de problemas climáticos’’, argumenta.
Para Canônico, outro aspecto que está pesando é o início do pagamento da securitização. Mesmo assim, ele acredita que vai ser possível para os produtores ‘‘darem uma respirada’’. Ele conta, ainda, que existem outros agricultores na região que não pensam da mesma forma e estão animados com o preço. ‘‘À primeira vista, é realmente um preço que seduz’’, afirma Canônico.

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