Curitiba - O analista econômico Nelson Carneiro, da Global Invest, reconhece as vantagens da moto, mas faz ressalvas. ''A moto é bem mais barata do que o carro, mas não serve como veículo da família'', observou. Para ele, o aumento nas vendas de moto não vai se sustentar. ''Basta que a economia brasileira volte a crescer, com maior oferta de crédito, para a recuperação do mercado automotivo'', analisou.
A expectativa do mercado, segundo Carneiro, é de que o 13º salário seja usado para pagar as dívidas. No ano que vem, a população voltaria a comprar bens de consumo duráveis. ''Se a prestação couber no orçamento mensal, a população volta a comprar carro, porque essa é a preferência'', afirmou.
O diretor-executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas e Bicicletas (Abraciclo), Moacyr Alberto Paes, disse que a retomada do mercado de veículos não vai prejudicar as vendas de motos. ''Não são mercados concorrentes mas sim totalmente distintos'', disse. Segundo dados da entidade, 35% das pessoas que compraram motos ano passado possuíam veículos. ''Somente 17% declarou que iria substituir o automóvel pela moto'', exemplificou.
Outro ponto forte do mercado de motocicletas são os consórcios. Segundo a Abraciclo, 53% das pessoas compraram motos por esse meio em 2002. Há planos de R$ 70 a R$ 80 mensais. ''Quem recebe dois ou três salários mínimos pode bancar isso. Somando com o gasto da gasolina, será mais barato do que o vale-transporte'', sustentou.

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