Rio de Janeiro - O emprego formal deve manter a trajetória de crescimento este ano e em 2005, prevê o economista da PUC-RJ e analista da Tendências Consultoria, José Márcio Camargo. Em junho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a ocupação com carteira assinada cresceu 3,2% ante igual mês do ano passado, o maior aumento nesse indicador desde maio de 2003. Camargo lembra que o emprego informal também vem crescendo (8,6% em junho ante junho 2003, especialmente por causa da influência de São Paulo), mas avalia que, em cenário de aumento do emprego, é natural que ocorra expansão tanto da ocupação com carteira quanto da informalidade.
Em junho, havia 7,4 milhões de trabalhadores com carteira nas 6 regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE, com aumento de 230 mil trabalhadores formais ante os registrados em igual mês do ano passado. Os empregados sem carteira totalizavam 3 milhões e os por conta própria (também considerados informais pelo IBGE) atingiam 3,75 milhões. Ou seja, o número de trabalhadores na informalidade (6,8 milhões) era pouco menor do que o grupo dos formais.
Camargo avalia que essa situação é resultado do aumento do custo da formalização do trabalho a partir do final dos anos 80 e início dos anos 90. Segundo ele, alguns benefícios que eram exclusivos dos trabalhadores formais, como acesso à saúde pública e aposentadoria, acabaram atingindo também os informais.
O economista avalia que a economia tende hoje ''a um novo equilíbrio da informalidade no trabalho, que continuará maior do que nos anos 80, mas menor do que os níveis atuais''. Ele acredita que o trabalho informal cresceu no País porque ''a recessão aumenta a informalidade conjunturalmente''. Por outro lado, segundo ele, o atual otimismo renovado dos empresários, que hoje acreditam em crescimento da economia ''nos próximos meses ou trimestres'', levará a contratações formais, com perspectiva de diminuição da informalidade. ''É possível que o aumento da informalidade desacelere com o crescimento da economia'', disse, acrescentando que, hoje, ''é difícil separar os impactos conjunturais dos estruturais sobre o emprego informal''.

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