São Paulo Pela primeira vez, em mais de um ano, a aposta majoritária dos analistas do mercado financeiro é de que a Selic será reduzida na reunião do Copom em setembro. De um total de 52 instituições consultadas pela Agência Estado, 50 esperam queda. As duas restantes acreditam que a taxa permanecerá em 19,75% ao ano. A pesquisa foi realizada antes do anúncio de reajuste dos preços dos combustíveis.
Os analistas são unânimes, porém, na percepção de que o conservadorismo será mantido na tomada de decisão. Isso fica claro pelo número das apostas na taxa mínima de corte: a maioria, 37 instituições, acredita em redução de 0,25 ponto porcentual, enquanto 13 prevêem corte de 0,50 ponto porcentual.
Nem mesmo a queda da produção industrial em julho, de 2,5%, além da esperada pelo mercado, deve estimular os membros do comitê a promover um corte mais profundo da taxa de juros. ''A produção industrial surpreendeu, mas parece que em julho houve uma desova do que foi estocado em maio. Isso não implica em reversão da produção industrial, que deverá fechar o ano com crescimento de 4,5%'', afirma o economista-chefe da SulAmérica de Investimentos, Newton Camargo Rosa. Ele trabalha com a estimativa de queda de 0,25 ponto porcentual da Selic, embora afirme haver espaço para um corte de 0,50 ponto.
As pressões com as quais os diretores do Copom deverão se deparar na avaliação geral que fazem do cenário macroeconômico antes de uma tomada de decisão em relação à taxa de juros, de acordo com os analistas, vêm da alta do preço do petróleo no mercado internacional e, internamente, dos eventuais desdobramentos da crise política sobre a economia. No caso do petróleo, a avaliação dos analistas é de que a crise já tem 2 anos e que a produção global não é mais tão intensiva em petróleo como era há 10 anos porque hoje há outras fontes de energia.

mockup